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Motivos que levaram o Atlético a não optar pela recuperação judicial: Menin esclarece e envia mensagem à torcida

Foto: PEDRO SOUZA / ATLETICO

Uma das principais dúvidas sobre a transição do Atlético para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é o porquê do clube não ter buscado a recuperação judicial, uma alternativa adotada por diversas outras equipes no Brasil. Rafael Menin, um dos gestores do Atlético, compartilhou sua visão sobre a situação e as razões por trás dessa decisão.

Menin recordou que os atuais investidores do Atlético realizaram um investimento significativo, superior a R$ 300 milhões, em 2020, quando ainda eram apenas uma associação, sem exigir juros. Além disso, quitaram dívidas anteriores e firmaram acordos trabalhistas e com diversos credores. Atualmente, o clube acumula uma dívida que ultrapassa R$ 700 milhões.

“Além da quantia que aportamos, que ultrapassa os R$ 300 milhões, ainda restam R$ 700 milhões. Esses R$ 700 milhões são provenientes de empréstimos bancários. Imagine a situação: em 2021, o Atlético se dirigindo ao BTG para solicitar R$ 100 milhões. A pergunta seria: ‘Qual é a garantia?’ E a resposta seria: ‘A garantia é o Atlético’. A probabilidade de conseguir esse empréstimo? Zero. A única forma que encontramos foi a nossa família assumir a responsabilidade, ou seja, se o Atlético não pagasse, a família Menin se tornaria responsável por essa dívida. Alguma outra família brasileira fez isso na história do nosso futebol? Não. Nós arcaríamos com essa responsabilidade”, declarou Rafael.

Com esse panorama, Menin acredita que a recuperação judicial não era uma opção viável, pois implicaria em cobranças não apenas ao clube, mas também ao grupo Menin, que já tinha assumido os empréstimos.

“Se decidíssemos pela recuperação judicial, estaríamos, na prática, dizendo aos bancos que não pagaríamos nada. Claro que isso resultaria na falência do clube, e a família teria que honrar os R$ 700 milhões, além dos R$ 300 milhões que já investimos sem juros. Isso não parece uma relação justa. Se somarmos o aporte e as garantias, ultrapassa um bilhão. Portanto, realmente não havia como optar pela recuperação judicial”, completou o empresário, ressaltando que não existe conflito de interesse na gestão da SAF do Galo.

Menin expressou sua preocupação com a percepção da torcida, que em sua maioria vê a não adesão à recuperação judicial como uma crítica, quando, segundo ele, tal decisão representa um “calote” aos credores. Ele afirma que prefere enfrentar dificuldades financeiras para quitar suas obrigações do que utilizar um recurso que prejudicaria outros.

“A recuperação judicial era uma alternativa atraente? De forma alguma. Já enfrentamos atrasos em pagamentos com alguns credores, mas estamos comprometidos a honrar nossas dívidas, assim como fizemos com os 300 credores do passado. A torcida deveria valorizar gestores que assumem a responsabilidade por um passivo dessa magnitude, ao invés de considerar aceitável recorrer à recuperação judicial e pagar apenas uma fração da dívida, deixando 80% sem quitação. Essa não é a prática que seguimos nos nossos negócios, e nem meu pai, Rubens, nem Ricardo Guimarães, nem Sérgio Coelho”, afirmou.

“Além do desafio dos R$ 700 milhões, podemos dormir um pouco mais tranquilos sabendo que não deixamos um bilhão de dívidas para trás. Alguns podem achar que essa é a maneira correta de agir, mas não é a nossa visão. Nós escolhemos enfrentar nossos desafios e também os problemas dos outros. Isso deveria ser motivo de reconhecimento, e não de críticas”, concluiu.

Atualmente, a dívida do Atlético ultrapassa R$ 1,4 bilhão, e o clube enfrenta dificuldades para gerenciar e reduzir essa situação.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade