Desde que o empresário Pedro Lourenço assumiu a SAF em 2024, o Cruzeiro tem recebido investimentos significativos, mas suas finanças permanecem longe do que seria ideal. Apesar de um aumento nas receitas, as despesas e a dívida também cresceram consideravelmente.
De acordo com o Relatório Convocados/Outfield, a análise financeira do clube em 2024, conforme um balanço auditado, é classificada como “preocupante”. “Os recursos foram amplamente direcionados para o futebol, mas é fundamental observar o aumento das dívidas, pois as receitas têm um limite de crescimento”, foi o que foi destacado.
No ano de 2023, sob a gestão de Ronaldo Nazário, o clube acumulava uma dívida de R$ 807 milhões, com receitas de aproximadamente R$ 255,1 milhões. Em 2024, a dívida quase alcançou R$ 1,2 bilhão, enquanto a arrecadação subiu para R$ 371,5 milhões.
Isso significa que, embora as receitas tenham crescido 46%, a dívida aumentou em cerca de 43%. A arrecadação inclui direitos de transmissão, patrocínios, transferências de atletas e vendas de ingressos, enquanto a dívida abrange empréstimos, contas a pagar e acordos trabalhistas.
Os analistas do Relatório Convocados/Outfield apontam que o Cruzeiro apresenta um resultado operacional (EBITDA) bastante insatisfatório. Essa métrica financeira avalia a lucratividade da entidade antes de considerar juros, impostos, depreciação e amortização.
Esse cenário é amplamente resultado dos investimentos em contratações de jogadores para o time profissional, que geraram despesas de R$ 333 milhões, incluindo gastos com outros clubes e pagamentos de salários, luvas e comissões. O fluxo de caixa após essas contratações ficou negativo em quase R$ 189 milhões.
“O fluxo de caixa operacional ficou negativo devido ao alto volume de contratações. Fechamos as contas parcialmente com aumento de capital, mas consumimos o caixa do ano anterior”, esclareceu o economista Cesar Grafietti.
No total, as despesas financeiras líquidas do Cruzeiro em 2024 chegaram a R$ 23 milhões, além de R$ 22 milhões em pagamentos de dívidas. Assim, o fluxo de caixa terminou em cerca de R$ 48 milhões negativos.