Sob a liderança de Tatiele Silveira, ex-jogadora do Internacional, o Colo-Colo se destaca no Campeonato Chileno feminino, permanecendo invicto em onze jogos. Desde sua chegada ao clube em 2023, a brasileira expressa sua satisfação com os resultados obtidos. Em 56 partidas, a equipe conquistou 45 vitórias, alcançando um impressionante aproveitamento de 87%. Este desempenho lhe rendeu reconhecimento, sendo escolhida como a melhor técnica do Campeonato Chileno Feminino em duas edições, 2023 e 2024.
Antes de sua experiência no Chile, Tatiele teve passagens por clubes como Porto Alegre sub-17, Grêmio, Guaíba (RS), Internacional, Ferroviária, Santos e Vasco, além da Seleção Brasileira sub-17. Em uma entrevista ao Lance!, ela compartilhou suas reflexões sobre as distinções entre o futebol feminino nos dois países e sua fase atual na carreira.
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Lance!: Como se deu sua transição de jogadora para treinadora? Sempre teve a intenção de seguir essa carreira?
Tatiele Silveira: Desde o tempo em que jogava, conciliava os treinos com a faculdade de Educação Física. Após me formar, busquei me especializar na área técnica para aprimorar minhas habilidades como treinadora. Minha carreira profissional começou em 2008, quando assumi o Porto Alegre Futebol Clube. Sempre estive imersa no mundo do futebol e consegui realizar muitos dos meus sonhos. A experiência em grandes clubes, o esforço constante nos estudos e o treinamento na CBF Academy até obter a Licença PRO foram etapas fundamentais para me levar ao que sou hoje, e estou muito feliz no Colo-Colo.
Você está no Colo-Colo desde 2023. Como surgiu o convite para treinar a equipe?
O clube havia conquistado uma vaga na Libertadores Feminina e entrou em contato comigo por meio de uma recomendação da Lindsay, uma amiga e também treinadora. Naquela época, eles buscavam uma profissional brasileira com experiência em competições internacionais. Essa conexão e motivação iniciaram as conversas que me trouxeram ao Chile para enfrentar esses grandes desafios e ambições.
Agora no Colo-Colo, você já teve sucesso no Brasil, onde conquistou o Brasileirão com a Ferroviária em 2019. Quais são as principais diferenças que você percebe entre o futebol feminino no Chile e no Brasil?
Existem algumas distinções em termos de estilo de jogo, metodologias e estrutura, além da influência cultural de cada país dentro de campo. No entanto, também há muitas semelhanças. Assim como no Brasil, o futebol feminino no Chile está em um processo de crescimento, oferecendo amplas oportunidades para evolução, e uma das minhas metas é contribuir ao máximo nesse desenvolvimento.
Você tem aspirações de integrar a comissão técnica da seleção chilena? Já houve alguma abordagem nesse sentido?
Esses assuntos costumo deixar para minha equipe, e pessoalmente, estou focada 100% no Colo-Colo e no contrato que assinei com o clube. Tem sido uma experiência incrível, cheia de aprendizado e crescimento pessoal. Estou imersa em um novo idioma, cultura e com pessoas diferentes. Hoje, me sinto totalmente adaptada e conto com um elenco excelente, além de um clube que nos oferece as melhores condições para colher os frutos do nosso trabalho.
Além de você, no Colo-Colo, temos Emily Lima coordenando a seleção peruana. Como você enxerga o mercado sul-americano para treinadoras brasileiras?
O mercado está se expandindo, proporcionando ótimas oportunidades e acompanhando o crescimento do futebol feminino na América do Sul. Vimos a representatividade sul-americana, como a medalha de prata do Brasil nos Jogos Olímpicos e o destaque da Seleção Colombiana no último Mundial Feminino. Em 2027, a Copa será realizada no Brasil, o que valoriza a modalidade e beneficia todos os países sul-americanos. Falando por mim, minha decisão de vir para o Colo-Colo foi uma das melhores escolhas da minha carreira e tem me trazido resultados muito positivos.