Atletas do futebol frequentemente enfrentam uma série de lesões, especialmente nas pernas. No entanto, colisões durante jogadas aéreas podem resultar em traumas na coluna, como aconteceu com Zé Rafael. Para quem presenciou seu retorno aos campos após mais de cinco meses afastado, a batalha que ele enfrentou permanece desconhecida.
Adquirido pelo Santos em fevereiro de 2025, o meio-campista não jogava uma partida oficial desde 23 de novembro do ano anterior, quando ainda defendia o Palmeiras. No último dia 12, ele fez sua estreia pelo Santos ao entrar aos 43 minutos do segundo tempo em um confronto contra o Ceará, válido pela oitava rodada do Brasileirão, no Allianz Parque.
Zé Rafael lidou com uma espondilolistese, uma condição que provoca o desalinhamento de vértebras, resultando em dores intensas e limitações de movimento. Flávia Magalhães, médica do esporte com mais de 20 anos de experiência na gestão da saúde de atletas, explica que essa lesão impacta severamente a mobilidade e o desempenho dos jogadores:
— Para os atletas, essa condição prejudica a explosão muscular, os movimentos rápidos e reduz a força e a coordenação, aumentando o risco de novas lesões, o que compromete o desempenho geral — afirma a especialista.
Após tentativas malsucedidas de tratamento conservador durante sua passagem pelo Palmeiras e com a condição se agravando, Zé Rafael foi encaminhado para uma cirurgia, a única opção para que pudesse retornar aos jogos. Em fevereiro, ele se submeteu a um procedimento inovador na região lombar, realizado no Hospital Albert Einstein em São Paulo pelo Dr. Alberto Godfrid, com o objetivo de corrigir o problema.
A cirurgia, chamada artrodese intervertebral, utilizou enxertos do próprio atleta para reparar a lesão óssea. Placas metálicas foram inseridas para estabilizar a área atingida, limitando a movimentação entre as vértebras adjacentes, aliviando a dor e restaurando a funcionalidade do jogador.
Embora já esteja clinicamente recuperado, Zé Rafael ainda trabalha para retomar sua melhor forma física. Ele deve ganhar minutos de jogo aos poucos durante o ano, até alcançar o nível ideal de intensidade e ritmo. Fabíola Gomes, fisioterapeuta esportiva associada à Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e Atividade Física (Sonafe), ressalta que cirurgias na coluna exigem cuidados especiais, sendo a fisioterapia essencial nesse processo.
— Durante a reabilitação, é crucial selecionar exercícios que fortaleçam a musculatura do core (abdominal e lombar) para dar suporte à coluna, evitando impactos ou sobrecargas. Alongamentos, reeducação postural e exercícios isométricos são algumas das práticas recomendadas. Além disso, técnicas avançadas como a eletroestimulação podem ser utilizadas para fortalecer sem estressar a área afetada — detalha a fisioterapeuta.
Na sua estreia pelo Santos, Zé Rafael jogou apenas dez minutos, mas o técnico Cléber Xavier afirmou que ele poderia ter atuado por mais tempo. A expectativa é que sua participação aumente no próximo jogo, contra o Corinthians, na Neo Química Arena, no domingo (18).
— Eu poderia usá-lo por 30 minutos hoje. Conversei bastante com ele e com o departamento médico. No começo, ele estava se adaptando ao gramado, mas agora posso contar com ele, Souza e Barreal por mais tempo — concluiu o treinador.