Hoje, Otávio Mesquita se pronunciou após Juliana Oliveira, que o acusa de estupro durante sua participação no SBT, descrever os eventos supostamente ocorridos em um episódio do programa The Noite, gravado em 2016.
O apresentador reiterou sua negação em relação às acusações e expressou “pena” da humorista. “O que realmente aconteceu, há quase uma década, foi uma ‘brincadeira’. Não houve nada de mais. Todos se divertiram e riram. Nós nos encontrávamos nos bastidores e nunca houve qualquer problema. A prova de que não houve nada de errado é que, no dia da gravação, eu estava com minha ex-esposa e meu filho no camarim”, disse ele em entrevista à Quem.
Mesquita admitiu que ficou “chateado” com a denúncia, mas afirmou estar tranquilo após receber apoio do público e de colegas. “No início, fiquei bastante abalado. Como pode uma pessoa comum como eu ser alvo de uma acusação após 10 anos? Fiquei preocupado com a situação. Não sei se alguém influenciou a cabeça dela”, comentou.
O apresentador explicou que se viu obrigado a processar Juliana para se defender. “Mesmo sendo a parte prejudicada, tive que entrar com um processo [de danos morais] contra ela. Fico triste, pois a Juliana enfrentará um problema que não deveria. Que estupro? Jamais faria algo assim. Tenho 65 anos e 40 anos de carreira na televisão, nunca enfrentei um processo. Sempre respeitei as pessoas e mantive um bom humor”.
Ele também insinuou que Oliveira estaria em busca de dinheiro, mas afirmou que a perdoaria se ela pedisse desculpas. “Se ela tivesse falado na hora, eu teria retirado [as imagens do ar]. Penso que ela quer dinheiro e busca ganhar um processo. Sou uma pessoa do bem. Sempre nos encontramos nos bastidores e nos divertimos. Se ela me ligasse e pedisse desculpas, eu a perdoaria”.
Sobre o depoimento de Juliana, que era assistente de palco de Danilo Gentili no The Noite na época do suposto incidente, ela declarou que o SBT não tomou as providências adequadas após sua denúncia e que, durante a gravação, Mesquita não respeitou o que foi combinado, agindo de maneira violenta. “Ele me agarrou à força. Aquilo foi uma violência. Ele não parava”, afirmou.
Juliana contestou a versão de Mesquita, que alegou que a esquete foi previamente acordada. “Esse cara disse que foi uma brincadeira combinada. Com quem, Otávio Mesquita? Aquilo não foi uma brincadeira, foi uma violência. Meu desconforto é evidente no vídeo”, disse.
Ela revelou que hesitou em denunciar inicialmente por medo de perder o emprego. “Eu tinha receio de fazer a denúncia e ser demitida. Eu sabia com quem estava lidando. Meu medo era que ele dissesse que eu queria dinheiro ou que jamais faria isso na frente de sua família. Tudo isso está documentado. Eu só queria ficar longe dele. Desde então, ele nunca mais apareceu no The Noite e eu não fui mais trancada no banheiro”.
Após deixar o programa, Juliana procurou a direção do SBT para relatar o que havia acontecido. “Eu precisava que a diretoria soubesse. Realizei várias reuniões para explicar tudo. A própria direção me encaminhou para o compliance. Eles perceberam a gravidade da situação e o impacto que teve na minha saúde mental”.
Ela mencionou que sua presença na emissora diminuiu após a denúncia, até que foi demitida. “Minha carreira estava em ascensão no SBT, mas assim que fiz a denúncia, tudo começou a desmoronar. O processo de compliance ocorreu entre agosto e setembro, e em fevereiro fui chamada para uma conversa e dispensada”.
O advogado de Juliana, Hédio Silva, declarou que sua cliente foi submetida a atos libidinosos não consentidos. Ele destacou que a jurisprudência atual considera esses atos como estupro, mesmo sem penetração. “A legislação foi reformulada em 2009, e o judiciário reconhece o estupro em casos onde não há contato físico direto com a vítima”, disse.
No vídeo disponível no YouTube, é possível ver Juliana sendo tocada por Mesquita enquanto ele entra no palco de maneira acrobática. Em seguida, Mesquita a segura e simula atos sexuais, enquanto ela tenta se desvencilhar. “Quando assisti ao vídeo, fiquei chocado. Como alguém grava algo daquele tipo? É um sentimento de impunidade. Ela reage, protestando e se defendendo. Depois, Danilo Gentili a chama de volta ao palco, e ela retorna constrangida, com a clara percepção de que foi violentada, mas sem entender a gravidade da situação”, comentou Hédio Silva.
Ele também ressaltou que cada pessoa tem seu próprio tempo para denunciar e que Juliana buscou apoio do SBT, mas não obteve a resposta esperada. “No último trimestre de 2024, ela trouxe a questão à atenção da emissora, mas sem sucesso. Isso causa um impacto psicológico significativo. Existe também um componente racial, onde o corpo da mulher é tratado como algo público”.
O advogado ainda afirmou que, conforme o combinado, Mesquita entraria pendurado e Juliana o ajudaria, sem que ele a tocasse. “Ele a apalpa, simula atos sexuais e, mesmo quando ela reage, a expressão dela é de desconforto. Danilo Gentili chega a comentar que ‘a Ju parece não estar gostando, mas ela gosta'”.