Na última terça-feira (14), a Polícia Federal (PF) do Brasil deu início a um inquérito em relação ao atacante Bruno Henrique, do Flamengo, devido à suspeita de que ele teria forçado um cartão amarelo. Contudo, esse não é o único jogador brasileiro sob investigação por possíveis manipulações de cartões e apostas esportivas. Lucas Paquetá, meio-campista do West Ham, está sendo investigado por infringir as normas de conduta em apostas esportivas no futebol inglês entre 2022 e 2023.
As investigações dos dois casos apresentam diferenças significativas em termos de procedimentos legais e consequências para os atletas. A principal distinção reside no fato de que os jogadores estão sendo avaliados por entidades diferentes e em jurisdições distintas. Enquanto Paquetá enfrenta a investigação da Federação Inglesa de Futebol (FA), o caso de Bruno Henrique está sob a responsabilidade da PF no Brasil.
Isso implica que as repercussões para os jogadores também variam. O atleta que atua no clube inglês corre o risco de ser banido do futebol pela FA, que segue rigorosamente sua regulamentação sobre apostas esportivas e as condutas dos atletas nesse contexto. Desde março deste ano, a FA começou o julgamento do jogador, que em breve deverá divulgar o resultado sobre a punição a ser imposta.
Ainda não há uma data definida para a conclusão do processo na Inglaterra, e, nesse cenário, não se espera que as autoridades britânicas promovam ações criminais contra o brasileiro, limitando-se ao âmbito esportivo.
Por outro lado, a PF pode levar suas investigações para o campo criminal, uma vez que está sob a alçada da Justiça brasileira. No caso de Bruno Henrique, a própria polícia está responsável pela condução do inquérito.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) havia iniciado uma investigação no final do ano passado sobre a conduta suspeita de Bruno Henrique, mas esse processo está atualmente arquivado e pode ser reaberto com base em novas informações fornecidas pela PF. Neste contexto, a possível sanção do STJD seria apenas no âmbito esportivo.
Outro aspecto que distingue as duas situações é a quantidade de cartões recebidos por cada jogador. Paquetá é acusado de favorecer familiares e amigos com uma série de cartões amarelos acumulados ao longo de uma temporada, enquanto Bruno Henrique está sob suspeita apenas em relação a um jogo específico: o amarelo recebido aos 50 minutos do segundo tempo na partida entre Flamengo e Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 2023, onde o rubro-negro perdia por 2 a 1 e o atacante foi advertido após descontentamento com a arbitragem.
Além disso, o caso de Lucas Paquetá envolve um terceiro jogador brasileiro de destaque. Embora não seja o foco principal das investigações, Luiz Henrique, que se destacou com o Botafogo em 2024 ao conquistar a Libertadores e o Brasileirão, teve seu nome vinculado às movimentações de apostas de seu tio, que é associado ao meia ex-Flamengo.
Bruno Toletino, mencionado nas investigações, é apontado como um dos beneficiários dos cartões amarelos que Paquetá recebeu em jogos pelo West Ham. As autoridades descobriram um comprovante de R$ 30 mil referente a um pagamento feito pelo tio de Paquetá para Luiz Henrique em troca de um cartão recebido enquanto jogava pelo Real Betis, na Espanha, antes de sua passagem pelo clube carioca. Atualmente, Luiz Henrique defende o Zenit, da Rússia.
Até o início de 2025, estava em trâmite no Senado Federal a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas (CPIMJAE). Esta comissão tinha como objetivo investigar e ouvir indivíduos suspeitos de manipulação de resultados no futebol, favorecendo apostadores no Brasil, como no caso dos familiares e amigos de Paquetá e Bruno Henrique.
Essa comissão também abrangeu todas as denúncias feitas por John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, entre 2023 e 2024, além de ações como a Operação Penalidade Máxima e a Operação VAR, que foram parte das investigações realizadas pelas autoridades brasileiras. O relatório final da comissão contou com mais de 250 páginas.
Entretanto, a CPIMJAE foi encerrada em fevereiro deste ano, não incluindo a nova fase do inquérito da PF em relação ao caso de Bruno Henrique. Além disso, a comissão foi concluída sem ouvir depoimentos de figuras consideradas relevantes nas investigações, como os próprios atletas. A bancada tentou prorrogar o prazo para incluir os depoimentos de Paquetá, Luiz Henrique e Bruno Henrique, mas o trabalho foi encerrado antes disso.
A CPI foi presidida pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), com Eduardo Girão (Novo-CE) como vice-presidente e Romário (PL-RJ) atuando como relator. O relatório foi aprovado pela bancada no dia 7 de fevereiro, embora não por unanimidade.