O clássico mito grego de Narciso, que narra a obsessão de um jovem por sua própria imagem, ganha uma abordagem contemporânea e sensível no filme brasileiro “Narciso”, lançado em 19 de março. Sob a direção de Jeferson De, a obra se distancia da narrativa original para explorar temas como racismo, identidade e afeto no contexto das famílias negras no Brasil.
A produção apresenta Arthur Ferreira no papel de Narciso, um garoto negro e órfão em busca de pertencimento. A história se inicia quando ele recebe uma bola mágica de Alexandre (Faiska Alves) e, ao realizar o desafio de acertar três cestas, invoca um gênio interpretado por Seu Jorge. Ao fazer o desejo de ter uma família rica, ele se vê confrontado com dilemas raciais profundos, questionando sua própria identidade ao ser acolhido por uma família branca.
O filme não apenas preserva a essência do mito, mas também incorpora referências afrobrasileiras, como a figura do gênio, que é retratada de maneira inovadora, fugindo dos estereótipos tradicionais. A narrativa se desenvolve em uma mansão, onde o protagonista deve evitar se olhar no espelho para não perder a nova vida, gerando uma reflexão sobre a aceitação da própria cor e a busca por amor e pertencimento.
Jeferson De ressalta que, ao contrário de sua contraparte grega, o Narciso da nova era não é destruído pela vaidade, mas aprende a se reconhecer e a valorizar seu afeto. Nos bastidores, a conexão entre Seu Jorge e Arthur Ferreira se destacou, refletindo a intimidade criada pela experiência compartilhada como pessoas negras. O cantor compartilhou suas memórias de infância, ressaltando a importância do amor e da aceitação na vida do protagonista.
“Narciso” transcende o entretenimento, oferecendo uma mensagem poderosa sobre a valorização da identidade negra e a ressignificação do amor familiar. O filme se propõe a inspirar uma nova geração a reconhecer a beleza em sua própria história e a celebrar a diversidade do afeto entre as comunidades negras.