AO VIVO: Rádio JMV
--:--
26°C ☀️ Ensolarado
USD R$ --
BTC $ --
JMV News
Programa Atual
JMV News - Notícias e Atualizações em Tempo Real 24 horas
Rio Grande do Sul tem alerta para chuva e ventos fortes até esta segunda-feira • Irã avalia restabelecer acesso à internet “de forma progressiva” • Aposta única do Rio Grande do Sul acerta a Quina e ganha R$ 11,5 milhões • Em artigo no New York Times, Lula critica ação dos EUA na Venezuela: “Não seremos subservientes” • Presidente da Câmara dos Deputados discutirá acordo Mercosul-União Europeia na primeira reunião de líderes de 2026 • Projeto Bota-Fora atende 13 comunidades nesta semana em Porto Alegre • Homem é preso com quase 250 quilos de maconha na BR-386 em Sarandi, no Norte do Estado • Sine Municipal de Porto Alegre realiza mutirão de empregos exclusivo para pessoas com deficiência • Período para atualização de cadastros do Minha Casa Minha Vida segue até 18 de fevereiro em Porto Alegre • Ex-Atlético, Arana diz que ligou para Hulk e deixa portas do Fluminense abertas para o jogador • Rio Grande do Sul tem alerta para chuva e ventos fortes até esta segunda-feira • Irã avalia restabelecer acesso à internet “de forma progressiva” • Aposta única do Rio Grande do Sul acerta a Quina e ganha R$ 11,5 milhões • Em artigo no New York Times, Lula critica ação dos EUA na Venezuela: “Não seremos subservientes” • Presidente da Câmara dos Deputados discutirá acordo Mercosul-União Europeia na primeira reunião de líderes de 2026 • Projeto Bota-Fora atende 13 comunidades nesta semana em Porto Alegre • Homem é preso com quase 250 quilos de maconha na BR-386 em Sarandi, no Norte do Estado • Sine Municipal de Porto Alegre realiza mutirão de empregos exclusivo para pessoas com deficiência • Período para atualização de cadastros do Minha Casa Minha Vida segue até 18 de fevereiro em Porto Alegre • Ex-Atlético, Arana diz que ligou para Hulk e deixa portas do Fluminense abertas para o jogador •

Pressão, estigma e cuidado: insights de especialistas sobre a saúde mental no futebol

No contexto da discussão sobre saúde mental no futebol, reacendida após a decisão do técnico Tite de não assumir o Corinthians, o portal LeoDias entrevistou dois renomados especialistas em psicologia do esporte para explorar o panorama atual e sugerir caminhos para o progresso. As reflexões também se conectam diretamente à recente declaração do ex-jogador Paulinho, que pediu mais empatia e diálogo no ambiente esportivo.

Segundo o Prof. Dr. João Ricardo Cozac, um psicólogo com 32 anos de experiência em clubes como Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro, a realidade emocional no futebol é marcada por um intenso desgaste.

“A pressão por resultados e a constante exposição na mídia no futebol profissional podem impactar significativamente a saúde mental de jogadores e treinadores. Estamos lidando com um cenário onde o erro se torna notícia, a crítica é incessante e a cobrança por vitórias é diária. No caso de Tite, é evidente o desgaste de alguém que liderou a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo — sob a pressão de um país inteiro, enfrentando avaliações públicas constantes e, simultaneamente, sem um espaço legítimo para lidar com frustrações profundas, como as eliminações precoces que enfrentou. O treinador, muitas vezes, é visto como o suporte emocional da equipe, mas raramente se pergunta quem cuida de sua própria saúde emocional”, destaca João.

O psicólogo Matheus Vasconcelos, vice-presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, complementa que a violência digital também é um fator relevante: “A pressão por resultados e a exposição na mídia, como no recente caso de Tite, afetam diretamente a saúde mental de atletas e treinadores. A FIFPRO, entidade internacional que representa jogadores de futebol, publicou um relatório interessante após a Copa do Mundo sobre a violência nas redes sociais, evidenciando como os profissionais da área estão cada vez mais suscetíveis a ofensas, ameaças e discursos de ódio, o que impacta diretamente seu bem-estar e desempenho. A entidade tem alertado há anos sobre a necessidade de desenvolver estratégias institucionais de proteção e acolhimento, especialmente considerando a alta vulnerabilidade desses profissionais à exposição pública e aos ataques virtuais.”

Ambos os especialistas enfatizam a importância de transformar o suporte psicológico em uma política estruturada dentro dos clubes. Cozac defende a implementação de práticas que vão além das palavras. “Quando Paulinho afirma que a prevenção começa com diálogo e empatia, ele está absolutamente correto. A prática deve seguir essa direção. Os clubes e as comissões técnicas podem estabelecer espaços internos de escuta qualificada, promover rodas de conversa conduzidas por psicólogos do esporte, capacitar líderes para que compreendam o impacto emocional de suas ações e, acima de tudo, cultivar uma cultura de cuidado que transcenda o mero discurso de apoio. Acolher não é simplesmente não julgar — é estar presente, criar um ambiente para a vulnerabilidade e entender que tanto atletas quanto treinadores precisam de cuidado”, ressalta.

Vasconcelos também sugere caminhos práticos e menciona exemplos que já estão em prática: “É crucial que os clubes contem com profissionais de psicologia integrados às suas comissões técnicas e, preferencialmente, que haja departamentos de psicologia estruturados para abordar a saúde mental como um todo. Algumas ações estratégicas incluem: 1. Oferecer espaços contínuos de acolhimento para atletas e comissões; 2. Promover iniciativas educativas, como tem feito o Fluminense; 3. Implementar protocolos de cuidado e monitoramento contínuo da saúde mental, incluindo avaliações de risco de burnout e outros fatores relacionados à saúde mental.”

Sobre a resistência histórica do futebol em abordar a saúde mental, Cozac é direto: “Ainda existe um grande tabu em torno da saúde mental no esporte, especialmente pela ideia distorcida de que admitir fragilidade é sinal de fraqueza. Precisamos quebrar esse mito. E isso começa com a educação emocional desde a base, formando atletas que saibam reconhecer o que sentem e que tenham liberdade para pedir ajuda. A boa notícia é que esse movimento tem crescido. Nos últimos anos, clubes têm incluído psicólogos em suas comissões técnicas com maior frequência, e atletas de alto rendimento têm se manifestado sobre os limites que enfrentam. No entanto, ainda estamos bem distantes do ideal. O suporte psicológico deve deixar de ser algo emergencial e se tornar parte da estrutura.”

Matheus Vasconcelos também reconhece os avanços, mas destaca a persistência de barreiras institucionais. “Acredito que o tabu hoje é menor do que no passado. Muitos atletas e treinadores estão buscando profissionais de forma particular. Isso indica que, atualmente, eles se sentem mais seguros ao procurar ajuda na saúde mental. Por outro lado, essa busca fora das instituições sugere que os clubes ainda não se tornaram ambientes seguros para discutir saúde mental, revelando a continuidade do tabu institucional. Temos avançado significativamente, mas é fundamental que os clubes implementem esse trabalho psicológico desde as categorias de base, pois o cuidado com a saúde mental não deve se restringir ao campo, mas abranger toda a carreira esportiva.”

Em situações de crise, como a enfrentada por Tite, a intervenção rápida é considerada essencial. “Em momentos como o que Tite está vivendo, o suporte imediato é crucial. Muitas vezes, o treinador ou atleta não percebe que está passando por um processo de esgotamento. O trabalho psicológico não apenas ajuda a identificar os sinais, mas também legitima a necessidade de pausa, reorganiza a percepção sobre a própria trajetória e auxilia na tomada de decisões mais conscientes. Isso pode prevenir colapsos maiores, evitar doenças emocionais e, acima de tudo, preservar a dignidade humana do profissional”, explica Cozac.

Vasconcelos complementa, ressaltando os benefícios desse suporte emergencial: “Em situações como a de Tite, o suporte psicológico imediato é essencial para que o profissional reconheça seus limites, identifique o que sente e acesse ferramentas de cuidado antes que o desgaste se agrave. Além disso, esse suporte oferece um espaço seguro para refletir sobre pressões externas, narrativas de fracasso e autoexigências, que são comuns no esporte de alto rendimento. A psicologia, na minha visão, funciona como uma ponte entre a saúde e uma performance sustentável.”

Por fim, os especialistas reiteram que o cuidado com a saúde mental deve ser contínuo, estruturado e integrado à rotina dos clubes. Cozac finaliza: “Além de atendimentos pontuais, os clubes precisam estabelecer programas contínuos de saúde mental. Isso implica integrar o psicólogo ao cotidiano da comissão técnica, acompanhar o elenco ao longo da temporada, criar protocolos de prevenção e, acima de tudo, tratar a saúde mental como parte da performance. Afinal, a mente não é um apêndice do corpo — é o núcleo que sustenta tudo. Enquanto essa realidade não for entendida como prioridade, continuaremos a comprometer a saúde de nossos talentos em nome de uma ideia equivocada de sucesso.”

Vasconcelos elenca modelos viáveis de atuação psicológica nos clubes. Ele explica que as instituições podem adotar diferentes formatos de trabalho, conforme sua estrutura e capacidade: “Os clubes podem contar com profissionais em diferentes modelos de atuação: 1. Dentro de comissões técnicas, onde eles apoiam toda a equipe e o elenco.”

Em seguida, amplia a discussão sobre alternativas mais estruturadas para integrar a saúde mental ao cotidiano dos clubes: “Através de departamentos de psicologia ou de saúde, onde, junto a outros profissionais, ações são planejadas de forma articulada, conforme as necessidades das instituições. É possível combinar esses formatos, com um departamento que desenvolve ações contínuas, mas que também conta com profissionais que oferecem cobertura de saúde mental em diversas categorias.”

Por fim, aponta a importância de redes de apoio externas como complemento aos clubes. “Além disso, esses três modelos poderiam contar com o suporte de uma rede externa para auxiliar em casos que exigem atenção mais específica. Hoje, por exemplo, temos a Rede Naurú, que conecta psicólogos do esporte em diferentes regiões do país e oferece atendimento online e presencial em algumas localidades”, conclui.

Transforme seu sonho com a força do esporte. Aposte agora na VivaSorte! Acesse: https://go.aff.afiliados.vivasortebet.com/leodias

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *