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Misci presta homenagem a Tieta em desfile: nordeste, arte e moda como formas de resistência e anseio

Na noite de 24 de abril, a Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, teve um de seus momentos mais memoráveis na temporada de moda nacional. Sob a direção criativa de Airon Martin, a Misci lançou uma coleção que mergulha na narrativa de Tieta do Agreste, a célebre personagem de Jorge Amado, que ganhou vida nas telas através da interpretação de Betty Faria nos anos 1980 — agora revisitadas com um olhar contemporâneo, cheio de alma, arte e afeto.

Mais do que um simples desfile, a apresentação foi uma celebração à mulher nordestina, à cultura popular e ao poder da moda como forma de contar histórias. Airon, que se dedicou a assistir todos os 200 episódios da novela antes de criar, utilizou Tieta como símbolo da mulher progressista, sensual, destemida e multifacetada que ele aspira a vestir nos dias de hoje.

A nova Tieta: do sertão para o mundo

Na passarela, a sensualidade de Tieta ganhou novas interpretações: transformou-se em conceito, em arte. Tecidos leves se entrelaçavam com alfaiataria inovadora. As paletas de cores variavam do azul claro ao vermelho intenso, passando pelo rosa suave e marrom queimado — uma combinação ousada e vibrante, elaborada por Renata Corrêa no styling. As estampas eram uma homenagem ao artista carioca Elian Almeida, reinterpretando trajes masculinos do sertão em versões femininas, fluidas e provocativas.

O marrom, por sua vez, dominou a cena, aparecendo em vestidos, camisas e conjuntos que brincavam com as convenções de gênero e tradição. A estética do “homem nordestino de cidade pequena” — com camisas abertas, decotadas e coloridas — foi reimaginada com sofisticação, humor e carinho.

Colaborações e bordados cheios de brasilidade

A coleção também se destacou por suas colaborações impactantes: os calçados urbanos de Paula Torres (com solados robustos e canos de diferentes comprimentos) e os bordados realizados por artesãs da Casa das Bordadeiras, de Timbaúba dos Batistas (RN), e da Associação Rendeiras de Alcaçuz, com o apoio do Instituto Riachuelo. Um claro exemplo de como moda, artesanato e impacto social podem andar lado a lado.

Primeira fila repleta de estrelas e momentos de emoção

Entre os espectadores, estavam figuras como Erika Hilton, Mariana Ximenes, Mari Gonzalez e Carlos do Complexo, que se emocionaram ao longo do desfile. Contudo, o clímax da noite foi, sem dúvida, a presença de Betty Faria, a eternamente lembrada Tieta, que foi ovacionada de pé em um dos momentos mais emblemáticos da ocasião.

Uma moda que narra histórias

Com esse desfile, a Misci solidifica sua posição como uma das grifes mais significativas do Brasil, capaz de entrelaçar tradição, brasilidade, arte e engajamento político sem perder de vista a beleza, o desejo e o impacto estético. Tieta não apenas retornou à moda — ela voltou a ser tema de discussão, ao imaginário e à memória coletiva.

E com isso, a certeza de que a moda brasileira é muito mais do que uma mera tendência. É uma história viva.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade