O incidente de racismo que afetou a filha da atriz Samara Felippo ganhou novos desdobramentos. Duas alunas do Ensino Fundamental, responsáveis por escrever ofensas raciais no caderno da jovem, foram condenadas pela Justiça de São Paulo a realizar quatro meses de serviços comunitários. A decisão, que faz parte do processo judicial, estipula que elas cumpram seis horas semanais de atividades em benefício da comunidade. As informações são do G1.
O episódio ocorreu no colégio particular Vera Cruz, localizado na Zona Oeste da capital paulista, e atualmente está em segunda instância, devido a um recurso apresentado pela defesa das adolescentes. As jovens, que estavam no 9º ano, pegaram o caderno de sua colega sem permissão para copiar uma pesquisa. Após o plágio, rasgaram as folhas e deixaram uma mensagem racista no material, que foi devolvido de maneira anônima aos achados e perdidos da escola.
A decisão da 2ª Vara Especial da Infância e da Juventude classificou a ação como um ato infracional relacionado à injúria racial. Contudo, os advogados das adolescentes recorreram, argumentando que a frase não tinha conotação racial e solicitaram a reclassificação da infração como injúria.
Samara Felippo, mãe da vítima e ex-aluna do mesmo colégio, expressou sua insatisfação com o andamento do processo. Emocionada, ela lembrou que a audiência ocorreu no aniversário de sua filha, o que intensificou a dor de reviver essa situação. A jovem, que atualmente recebe acompanhamento psicológico, foi retirada da escola após o término do ano letivo por decisão da mãe, que criticou a postura da instituição.
A atriz também destacou que este não foi o primeiro episódio de discriminação enfrentado pela filha na escola. Segundo ela, a adolescente, que é negra, já havia vivido situações de exclusão em trabalhos em grupo, fofocas e até acusações infundadas, como ser responsabilizada por um objeto que desapareceu em uma festa, mesmo sem evidências.
Apesar da decisão judicial não ter sido a esperada, Samara enfatizou em entrevista ao portal G1 a importância de denunciar casos semelhantes. “A denúncia é crucial, é fundamental registrar um boletim de ocorrência, pois o racismo deve ser encarado com seriedade e considerado um crime neste país. Se elas são adolescentes, que enfrentem as consequências de seus atos para que isso impacte não apenas minha filha ou eu, mas toda a sociedade”, afirmou.
Nas redes sociais, a atriz também se manifestou na última sexta-feira (18/4). “Continuo nessa luta não apenas pela minha filha, mas por todos os casos de racismo que persistem nas escolas, atingindo crianças e adolescentes”, escreveu.
O colégio Vera Cruz, conhecido por suas altas mensalidades, que superam 5 mil reais, reconheceu o episódio como um ato de racismo e iniciou mediações entre os envolvidos. As alunas responsáveis foram suspensas indefinidamente e estão proibidas de participar de atividades externas da escola. Além disso, a instituição informou que as jovens se apresentaram voluntariamente com os pais no dia seguinte, e novas medidas poderão ser tomadas conforme o andamento das investigações.