A coluna teve acesso exclusivo a uma investigação da Polícia Federal (PF) que revelou a atuação de uma milícia privada bem estruturada no Distrito Federal, envolvendo diretamente policiais militares em atividade. O grupo é acusado de realizar cobranças violentas de dívidas, especialmente em benefício de agiotas e empresários, utilizando como fachada uma empresa de segurança clandestina, que não possuía autorização da PF para atuar.
A operação, iniciada em março deste ano, é um desdobramento da Operação Fênix e se baseou em dados coletados do celular de um dos investigados. A apuração revelou o uso de ameaças armadas, coação psicológica e abuso de poder para assegurar o cumprimento das cobranças, com vítimas sendo forçadas a assinar notas promissórias e termos de confissão de dívida, muitas vezes sob pressão extrema.
De acordo com os documentos obtidos, o grupo se apresentava como uma empresa de segurança privada, operando sem a devida autorização legal. Essa fachada era utilizada para encobrir suas atividades ilícitas, cujo verdadeiro objetivo era oferecer “serviços de cobrança” a terceiros, incluindo agiotas.
A empresa fictícia servia para legitimar as abordagens realizadas pelos membros da organização, que se apresentavam como seguranças ou representantes legais, justificando ações que, na realidade, envolviam intimidações, ameaças armadas e perseguições a devedores.
A investigação indica que cinco indivíduos estão formalmente sendo investigados. Segundo a PF, a participação dos policiais era crucial para o êxito do esquema. Eles utilizavam sistemas internos da segurança pública para obter endereços, dados pessoais e rotinas das vítimas, além de estarem envolvidos nas abordagens e na vigilância. A investigação também aponta que viagens para outros estados foram realizadas para pressionar devedores.
O grupo oferecia seus “serviços de cobrança” a agiotas ou a pessoas que desejavam “resolver pendências” fora do sistema judiciário. Em contrapartida ao pagamento, as vítimas eram abordadas de maneira agressiva, forçadas a aceitar dívidas formalizadas e ameaçadas caso se recusassem a pagar.
Mensagens coletadas de celulares e documentos apreendidos indicam que, em pelo menos duas ocasiões, o grupo viajou para outros estados para realizar as cobranças, evidenciando características típicas de uma milícia privada e de uma organização criminosa paramilitar.
A PMDF informou que não comenta casos em investigação, mas ressaltou que não tolera desvios de conduta e que todas as denúncias são rigorosamente apuradas. A coluna também tentou contato com a defesa dos envolvidos, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.
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