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Pequim alerta Trump sobre a dependência dos EUA em relação às suas armas

Uma matéria publicada pelo New York Times revela como a decisão da China de interromper a exportação de terras raras para os Estados Unidos, como resposta às tarifas comerciais implementadas por Donald Trump, pode comprometer importantes programas militares americanos. É surpreendente que uma parcela significativa do arsenal dos EUA dependa de recursos minerais provenientes de um adversário, mas essa é a realidade contemporânea.

“Nos caças da Força Aérea, ímãs feitos de minerais de terras raras, extraídos ou processados na China, são essenciais para ativar os motores e fornecer energia de emergência. Em mísseis balísticos de alta precisão, utilizados pelo Exército, ímãs com minerais raros chineses controlam as barbatanas da cauda, permitindo que os mísseis atinjam alvos pequenos ou em movimento. E nos novos drones movidos a bateria, usados pelos fuzileiros navais, os ímãs compostos por minerais de terras raras são imprescindíveis para os motores elétricos compactos”, aponta o New York Times.

O jornal sintetiza a questão: “Ao anunciar que, a partir de agora, exigirá licenças especiais para seis metais pesados de terras raras, os quais são refinados exclusivamente na China, além de ímãs de terras raras, 90% dos quais são fabricados na China, Pequim lembrou ao Pentágono — se é que precisava desse lembrete — que uma vasta gama de armamentos americanos é dependente da China”.

É provável que a mensagem de Pequim aumente a pressão sobre o governo de Donald Trump para que a Ucrânia assine rapidamente um acordo que permita a empresas americanas explorar as terras raras do país, como parte do pagamento pela assistência militar dos EUA na luta contra a invasão russa.

A decisão de Pequim também pode intensificar o interesse do presidente americano pela Groenlândia, que possui grandes reservas desses minerais. Donald Trump deseja incorporar a ilha no Círculo Ártico ao território dos Estados Unidos, desconsiderando a soberania da aliada Dinamarca, que administra a Groenlândia, assim como as normas diplomáticas e os arranjos da rede de alianças estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

É possível que a postura agressiva do presidente americano leve a Dinamarca a firmar um acordo com os Estados Unidos para a exploração de terras raras, que poderia ser semelhante ao da Ucrânia sob coerção. O mundo atual é fascinante, mas é igualmente curioso observar que, para resolver suas dificuldades, estão sendo utilizadas táticas de um passado que parecia ter sido deixado para trás no início do século XX.

Já conferiu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Visite a coluna do Metrópoles.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade