A estreia da Shein Global como companhia de capital aberto tem sido marcada por turbulências, refletindo um desempenho aquém das expectativas no primeiro relatório financeiro divulgado após sua abertura de capital. As ações da varejista de moda rápida, listadas na bolsa de Hong Kong, sofreram uma queda de cerca de 14% no início do pregão desta terça-feira, 29 de outubro, atingindo uma mínima histórica. Este movimento negativo evidencia as dificuldades enfrentadas pela empresa em um cenário de crescimento desacelerado e pressões externas.
Os resultados do segundo trimestre de 2024 revelaram uma performance financeira abaixo do esperado pelos analistas do mercado. A receita da Shein cresceu apenas 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 11,08 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado despencou aproximadamente 66%, atingindo US$ 228 milhões. Esses números indicam uma desaceleração significativa na rentabilidade, agravada por um crescimento fraco de receitas e custos operacionais elevados, incluindo tarifas e despesas logísticas em alta, fatores que têm impactado negativamente o setor de moda rápida globalmente.
A empresa, fundada na China, destacou em seu comunicado que o ambiente externo deve permanecer incerto no segundo semestre de 2024, embora tenha sinalizado uma possível melhora no quarto trimestre, período tradicionalmente mais forte para o varejo sazonal. Segundo a companhia, o quarto trimestre representa sua janela promocional mais relevante, com potencial para impulsionar a demanda e recuperar parte das perdas recentes. No entanto, os resultados trimestrais reforçam os desafios enfrentados, especialmente nas operações internacionais.
Nos Estados Unidos, a receita caiu 6% no trimestre, enquanto na Europa a retração foi de 14%. A redução nas vendas na América do Norte surpreendeu analistas, incluindo a equipe do banco de investimentos Jefferies, que apontou que o desempenho ficou mais de 10% abaixo da faixa inferior prevista no prospecto de abertura de capital. A diminuição da demanda nos EUA foi atribuída ao encerramento, pelo governo, de uma isenção tarifária para importações de baixo valor, encerrada em 2025, o que elevou os custos de importação e reduziu a competitividade dos produtos mais baratos da Shein nesse mercado.
Na Europa, as vendas também sofreram impacto após a União Europeia eliminar, em julho passado, uma isenção tarifária semelhante e iniciar uma investigação sobre riscos relacionados à venda de produtos ilegais e problemas de segurança ligados ao formato da plataforma. Tais medidas regulatórias contribuíram para a retração do desempenho da empresa na região.
Além dos fatores políticos e regulatórios, a guerra no Oriente Médio agravou o cenário econômico global, afetando rotas de transporte e elevando os custos de frete, o que impacta diretamente as operações logísticas da Shein. A empresa afirmou estar adotando medidas para mitigar esses efeitos, incluindo o aumento de preços de seus produtos.
A abertura de capital da Shein ocorreu neste mês em Hong Kong, avaliada em aproximadamente US$ 25 bilhões, uma fração do valor máximo atingido pela companhia, que chegou a quase US$ 100 bilhões. Apesar de ter realizado uma das maiores ofertas públicas do ano na bolsa de Hong Kong, as ações já acumulam uma queda de quase 30% desde o início das negociações, refletindo a desconfiança do mercado diante dos resultados recentes e das incertezas do cenário externo.