O Banco Central do Brasil divulgou nesta segunda-feira (28) que as contas externas do país apresentaram um déficit de US$ 5,1 bilhões em agosto de 2026, valor que supera o registrado no mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de US$ 3,8 bilhões. Os dados, publicados no relatório de estatísticas do setor externo, indicam que o resultado negativo reflete a diferença entre as exportações e importações de bens, serviços contratados e gastos de brasileiros no exterior, além do envio de lucros ao exterior.
Nos doze meses encerrados em agosto de 2026, o déficit em transações correntes totalizou US$ 63 bilhões, equivalente a 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Apesar do déficit na conta de transações correntes, a balança comercial de bens apresentou superávit de US$ 6,6 bilhões no mesmo mês. Este saldo positivo foi impulsionado pelo aumento nas exportações de bens, que atingiram US$ 33,3 bilhões, representando uma alta de 12,1% na comparação interanual. Por outro lado, as importações de bens totalizaram US$ 26,7 bilhões, um incremento de 9,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O setor de serviços contribuiu para o déficit de agosto, que totalizou US$ 5,3 bilhões. Nesse mês, houve aumento nas despesas líquidas de transporte (28,3%), propriedade intelectual (52,4%), serviços de telecomunicação, computação e informações (128,2%), além de aluguel de equipamentos (6,6%). As despesas líquidas de viagens internacionais permaneceram estáveis em US$ 1 bilhão, com uma elevação de 17,3% nas receitas, que somaram US$ 900 milhões, e um aumento de 6,4% nas despesas, atingindo US$ 1,1 bilhão.
O relatório do Banco Central também aponta que o déficit em renda primária alcançou US$ 7 bilhões em agosto. As despesas líquidas com lucros e dividendos, relacionadas aos investimentos diretos e em carteira, totalizaram US$ 5,9 bilhões, um aumento em relação aos US$ 4,2 bilhões registrados em agosto de 2025. As despesas líquidas com juros tiveram uma redução de 12,8%, totalizando US$ 1,1 bilhão.
No que diz respeito aos investimentos internacionais, os ingressos líquidos de investimentos diretos no país somaram US$ 7,4 bilhões em agosto, uma ligeira queda em relação aos US$ 7,7 bilhões do mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, esses investimentos atingiram US$ 86,6 bilhões. Quanto aos investimentos em carteira, houve saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões no mês, sendo US$ 6,5 bilhões de saídas em ações e fundos de investimento, enquanto os títulos apresentaram ingresso líquido de US$ 1,3 bilhão. Para o período de 12 meses, os ingressos líquidos em carteira totalizaram US$ 11,7 bilhões.
As reservas internacionais do Brasil encerraram agosto de 2026 em US$ 372,6 bilhões, um aumento de US$ 2,9 bilhões em relação ao mês anterior. Esse incremento foi impulsionado principalmente por variações cambiais positivas, que contribuíram com US$ 2,7 bilhões, e por receitas de juros, que somaram US$ 900 milhões. Por outro lado, as vendas no mercado à vista reduziram o estoque de reservas em US$ 1 bilhão.
Esses dados reforçam o cenário de fragilidade nas contas externas brasileiras, com destaque para o aumento do déficit em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo desafios na balança de serviços e na renda primária, além de oscilações nos investimentos internacionais. A manutenção de reservas internacionais acima de US$ 370 bilhões demonstra, entretanto, uma margem de suporte à estabilidade financeira do país.