A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) anunciou neste domingo (27) a suspensão de seu acordo com a Sportradar, plataforma internacional especializada em monitoramento de manipulação de resultados esportivos, em decorrência da recente proibição das apostas esportivas no Brasil. A decisão ocorre logo após a assinatura de uma Medida Provisória (MP) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sexta-feira (25), que veta o funcionamento de casas de apostas no país, incluindo plataformas de apostas online, conhecidas como bets.
O contrato entre a ANJL e a Sportradar foi firmado em fevereiro deste ano, como parte de um entendimento estabelecido com o Ministério do Esporte em 2025. A parceria tinha como objetivo manter duas plataformas educacionais destinadas a agentes do esporte e autoridades responsáveis pelo monitoramento, detecção de fraudes e recebimento de denúncias relacionadas às manipulações de resultados esportivos. Essas plataformas ofereciam módulos específicos que abordavam temas como os riscos associados às apostas, mecanismos de monitoramento, regras e regulamentos, além de canais de denúncia.
Segundo o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, a decisão de romper o acordo é uma consequência direta da MP aprovada pelo governo federal. Ele afirmou que a suspensão das plataformas prejudica a prevenção de manipulações, uma vez que elas eram instrumentos essenciais para o treinamento e a capacitação de profissionais do esporte na identificação de irregularidades. “Esta é a primeira das muitas consequências, infelizmente, da Medida Provisória do governo federal. As plataformas mantidas pela ANJL ofertavam módulos dedicados, entre outros temas, aos riscos das apostas, ao monitoramento e à detecção, às regras e regulamentos e aos canais de denúncia. Perdem o esporte, os atletas e também os apostadores, que migrarão para plataformas ilegais e ainda estarão sujeitos a resultados manipulados nas apostas”, afirmou.
A entidade também alerta que o fim do mercado regulamentado no país tende a impulsionar a atuação de plataformas ilegais, que não possuem mecanismos de controle e fiscalização, aumentando os riscos de manipulação de resultados e cooptação de atletas, principalmente no futebol. Segundo a ANJL, nenhuma plataforma ilegal possui preocupação com a integridade na manipulação de resultados, tendo como objetivo primordial apenas o lucro. Em contrapartida, as empresas legalizadas sempre tiveram um compromisso permanente com a integridade esportiva, o que, na visão da entidade, será comprometido pela decisão do governo.
Além da MP, o governo Lula enviou ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) que busca endurecer as regras contra o mercado ilegal de apostas. O texto define conceitos e tipifica crimes relacionados às apostas de quota fixa, além de estabelecer punições mais severas para quem atuar de forma clandestina. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a partir do dia 6 de outubro não haverá mais sites ou patrocínios de apostas esportivas no Brasil, reforçando a intenção do governo de coibir o setor ilegal e proteger a integridade do esporte nacional.