A Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos, anunciou na última quinta-feira, dia 17, uma medida provisória que permite, de forma condicional, que certas plataformas realizem negociações de ações tokenizadas por meio de redes blockchain. Essa iniciativa representa um avanço na regulamentação do mercado de ativos digitais, incluindo ações de empresas americanas negociadas em bolsas de valores tradicionais, e estabelece condições específicas relacionadas aos direitos dos investidores e à atuação das plataformas envolvidas.
A decisão da SEC gerou repercussão significativa no mercado financeiro, com analistas destacando o impacto potencial dessa flexibilização na forma de investir. Bernardo Pascowitch, apresentador do programa “Resenha do Dinheiro”, comentou que o mercado reagiu de maneira otimista, resultando em uma valorização expressiva do bitcoin, apesar de uma reação negativa ao projeto de lei conhecido como Clarity Act. Este projeto, que visa estabelecer regras mais claras para o mercado de criptomoedas, teve sua votação adiada pelo Senado americano, após obstruções por parte dos democratas, que se opõem à ampliação da regulamentação do setor cripto.
Marilia Fontes, economista e sócia-fundadora da Nord Investimentos, explicou que a tokenização tem o potencial de transformar a maneira como investidores acessam diferentes ativos financeiros. Segundo ela, o processo consiste na representação digital de ativos e ações por meio de tokens registrados em uma rede blockchain, o que possibilita uma negociação mais descentralizada e globalizada. Como exemplo, ela mencionou que um investidor pode adquirir ações da Apple sem precisar enviar dinheiro para os Estados Unidos ou passar por uma corretora americana, realizando transações ao redor do mundo de forma direta e automatizada.
A especialista também destacou o potencial de expansão da tokenização para outros tipos de ativos, como imóveis e recebíveis, ampliando o escopo de possibilidades de investimento. Além disso, ela ressaltou que essa tecnologia permite negociações contínuas, contratos inteligentes e o uso de ativos como garantia em operações de crédito, o que pode gerar maior eficiência e inovação no mercado financeiro.
Bernardo Pascowitch complementou a análise ao explicar como as expectativas dos investidores influenciam os preços dos ativos. Segundo ele, tanto a rejeição do Clarity Act quanto as decisões relacionadas às taxas de juros nos Estados Unidos já estavam incorporadas na precificação dos ativos, demonstrando que o mercado antecipa e avalia de forma contínua as possíveis mudanças regulatórias e econômicas.
Quanto às perspectivas para o bitcoin e demais criptomoedas, Pascowitch afirmou que o cenário para 2026 permanece desafiador, dificultando previsões precisas sobre o comportamento dos mercados. Ele aconselha que investidores adotem estratégias de compras parceladas e recorrentes ao longo do tempo, especialmente aqueles interessados em construir uma exposição gradual ao ativo, minimizando riscos associados à volatilidade.
A programação do “Resenha do Dinheiro”, apoiada pela B3 e pela gestora de investimentos BlackRock, é apresentada por Marilia Fontes, Bernardo Pascowitch e Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”. O programa busca oferecer uma abordagem acessível e analítica sobre temas de educação financeira e investimentos, abordando semanalmente os principais assuntos econômicos de forma clara e descontraída, sem perder o rigor técnico. Com transmissão às sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube, e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil, a atração visa democratizar o entendimento sobre o mercado financeiro para o público geral.