O Bank of America (BofA) prevê uma redução de pelo menos 10% em suas receitas provenientes de banco de investimento no terceiro trimestre deste ano, refletindo o cenário de desaceleração no mercado financeiro. Segundo o presidente-executivo da instituição, Brian Moynihan, a receita do banco de investimento deve variar entre US$ 1,6 bilhão e US$ 1,8 bilhão, valor inferior aos US$ 2 bilhões registrados na mesma etapa do ano passado. A expectativa é de que essa queda seja consequência de uma redução geral na atividade do setor, que, de acordo com Moynihan, caiu aproximadamente 10% em todo o mercado de bancos de investimento.
Durante uma conferência global de serviços financeiros realizada na última segunda-feira, 14 de outubro, Moynihan destacou que a participação do BofA em negócios de maior movimento foi limitada, o que pode levar a uma queda superior à estimada. Ainda assim, ele afirmou que a receita de “sales and trading” — operações de compra e venda de ativos financeiros — deve permanecer praticamente estável, mantendo-se em torno dos US$ 5,4 bilhões, valor que o banco registrou no terceiro trimestre de 2024.
O executivo reforçou que a carteira de negócios do banco permanece sólida, apesar do cenário desafiador. No entanto, alertou que aumentos nas taxas de juros podem impactar a demanda por financiamento, uma variável que acompanha de perto as condições de mercado. Moynihan afirmou que, no momento, o fluxo de operações e os pipelines de negócios continuam ativos e cheios, indicando uma expectativa de estabilidade no curto prazo.
No contexto mais amplo do mercado financeiro, as corretoras internacionais estão alinhadas às apostas de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, aumentará as taxas de juros ainda neste ano. Essa expectativa se sustenta após dados de inflação mais fortes do que o previsto, que reforçam a possibilidade de novas elevações na política monetária, visando conter pressões inflacionárias.
Moynihan também comentou sobre o comportamento do consumidor americano, destacando que o gasto permanece robusto e que a qualidade do crédito continua em níveis considerados bons há bastante tempo. Segundo ele, a economia dos Estados Unidos apresenta sinais de resiliência, o que alimenta uma perspectiva otimista em relação ao desempenho geral do país, mesmo diante de um cenário de maior cautela no setor financeiro.