Os descendentes de João Carlos Mansur, fundador da Reag, figuram como beneficiários de fundos que movimentaram a quantia de R$ 1,45 bilhão. Segundo as investigações, esses recursos teriam origem no Banco Master, que, em conjunto com a Reag, estaria envolvido em um esquema para desviar valores entre os diversos fundos administrados pela Reag. Essas informações foram apresentadas em uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF), que apoiou a solicitação da Polícia Federal (PF) para incluir Mansur na lista de investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, iniciada em 14 de janeiro.
No documento, mencionado pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), está registrado que “uma representação do Banco Central indica o uso da Reag para o desvio de recursos do Banco Master”. Adicionalmente, afirma-se que “indivíduos ligados a João Mansur — seus filhos — foram utilizados na execução dos delitos”.
Mansur, que também é sócio de 20,2% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG, é um fervoroso torcedor e membro ativo do Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras.
Os investigadores destacam os fundos Astralo 95 e Reag Growth 95, que, segundo eles, “fazem parte de uma extensa rede de controle, tendo como beneficiários finais declarados Lucas Francolina Falbo Mansur, Marina Franco Falbo Mansur e Alex Franco Falbo Mansur”.
“O tamanho e a complexidade dessas transações indicam que as operações foram organizadas com a colaboração do Banco Master e da Reag DTVM, com o objetivo comum de redirecionar recursos do conglomerado Master para outros destinos sem relação com os interesses da instituição”, complementou o Ministério Público Federal.
Como já foi relatado, até o início das investigações relacionadas ao PCC e à Faria Lima, a Reag Investimentos era vista como um dos negócios mais prósperos no principal centro financeiro do Brasil. Isso se deve ao fato de que, em um período de apenas cinco anos, de 2020 a 2025, o patrimônio sob a gestão da Reag aumentou quase 14 vezes, passando de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões.
A liquidação da Reag pelo Banco Central ocorreu um dia após a operação que visou Mansur, que foi justificada pela autarquia com base em graves violações das normas que regulam as atividades das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Antônio Pereira de Souza foi nomeado como liquidante do processo, representando a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda.
A coluna tentou contato com Mansur e a Reag, mas não obteve resposta das assessorias. O espaço permanece aberto para futuras declarações.
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