Carla Sarni, a empresária à frente do Grupo Salus, que abrange franquias como Giolaser, Sorridents e Olhar Certo, tornou-se o centro de uma série de denúncias públicas por parte de sócios e franqueados após sua decisão de registrar um Boletim de Ocorrência contra Leonardo Torloni, filho da atriz Christiane Torloni e do diretor Dennis Carvalho, conforme noticiado pelo Metrópoles.
Nos vídeos divulgados, os denunciantes expõem uma gestão considerada opaca, marcada por exigências e imposições que extrapolam os termos do contrato de franquia ou sociedade. Muitos relatos também mencionam a reação agressiva de Carla Sarni quando são levantadas questões. As denúncias incluem ameaças e perseguições.
“Infelizmente, sou parte desse grupo de profissionais que confiou em dados manipulados, cenários fabricados e promessas de um futuro que nunca se concretizou. Ao adquirir uma unidade tida como perfeita, encontrei uma realidade devastadora”, relata Luan Sales, dentista e franqueado da Sorridents.
Ele continua: “Mais de R$ 400 mil em tratamentos odontológicos pendentes, pacientes em situações críticas, implantes mal executados e próteses inadequadas. Passei a responder por processos de atendimentos de pessoas que nunca vi e enfrentei ameaças de morte de pacientes insatisfeitos. E eu arcar com tudo isso.” Sales afirma que não obteve qualquer suporte por parte da franqueadora, o que impactou negativamente sua saúde mental.
Priscila de Almeida, oftalmologista e casada com um primo de Carla Sarni, tornou-se sócia na rede Olhar Certo. Em um vídeo, ela confessa que confiava em Carla por conta da relação familiar, mas logo percebeu grandes retiradas financeiras sem justificativas. “Todos perceberam que algo não estava certo quando o Crescera, um fundo, entrou na jogada e optou por comprar apenas a parte de Carla”, relata.
Amanda Guandalini, dentista e franqueada da Sorridents e Giolaser, também compartilha sua experiência: “Quando a empresa está lucrando, você é valorizado. Quando não, você se torna o vilão, e eles manipulam as pessoas ao seu redor.” Ela acrescenta: “As pessoas vivem com medo. Muitas perderam tudo e não conseguem mais manter o básico em casa.”
Sabrina Balkani, também dentista e franqueada da Sorridents, revela: “Ela ensinava a não pagar impostos, além de fraudes fiscais e trabalhistas.” Sabrina afirma que suas clínicas foram fechadas por Carla Sarni, deixando mais de 40 mil pacientes sem atendimento. “Ela não se importava”, desabafa. “Quando percebi que ali ninguém se preocupava com o paciente e questionei, passei a ser tratada como uma peça descartável.”
Carla Sarni enfrenta dezenas de processos judiciais e está sob investigação por propaganda enganosa e pirâmide financeira. Todos que a denunciaram em vídeo já ingressaram com ações judiciais contra a empresária.
Em uma decisão recente, ela foi condenada no dia 10 de dezembro a indenizar uma franqueada da Giolaser no valor de R$ 362.960,14. No entanto, conforme os documentos do processo, os prejuízos da franqueada foram muito superiores, totalizando R$ 876.990,18.
Essa condenação ocorreu apenas cinco dias após Carla registrar um Boletim de Ocorrência contra Leonardo Torloni, alegando que ele a ameaçou com uma denúncia à imprensa caso não recebesse R$ 3,9 milhões. Carla o acusa de extorsão, enquanto ele alega buscar, de forma legal, o ressarcimento de perdas decorrentes do modelo de negócios insustentável que ela promoveu.
Leonardo, que tinha franquias da Giolaser e Sorridents, afirma ter investido mais de R$ 7 milhões, enfrentando perdas superiores a R$ 11 milhões, enquanto a franqueadora teria arrecadado mais de R$ 3 milhões em royalties durante esse período.
Nos documentos da condenação, a franqueada relata problemas semelhantes aos mencionados por Leonardo em sua negociação com Carla. Ela foi atraída pela propaganda da Giolaser, que prometia alta rentabilidade, associando a marca à atriz Giovanna Antonelli, que foi sócia de Carla. Após assumir a unidade, constatou que a clínica era economicamente inviável, acumulando prejuízos mensais superiores a R$ 50 mil. A franqueada também relatou práticas abusivas por parte da franqueadora, como cobranças indevidas e exclusão de grupos oficiais.
Na sentença, o juiz Fábio Henrique Prado de Toledo anulou o contrato de franquia entre as partes e determinou que Carla Sarni e o Grupo Salus ressarcissem a autora da ação em R$ 362.960,14.
Carla Sarni e Giovanna Antonelli estão sob investigação por crimes graves, incluindo propaganda enganosa e pirâmide financeira. A atriz se desvinculou da sociedade com a empresária logo após o Ministério Público de São Paulo aceitar a primeira denúncia contra o grupo, no final de 2024.
O processo civil pede uma indenização de R$ 2,2 milhões e aponta promessas fraudulentas e a inviabilidade de manter uma franquia da Giolaser sem incorrer em prejuízos, devido a cobranças não previstas no contrato e imposições de taxas. Mesmo após o rompimento do contrato, Giovanna se tornou alvo de um novo inquérito criminal instaurado em junho, acusado de concorrência desleal e outros crimes.
Além das denúncias formais no Ministério Público, franqueados do Grupo Salus relatam uma realidade marcada por ofensas, ameaças e um clima de medo. Em um áudio obtido pelo Metrópoles, Carla é ouvida gritando e exigindo que seus funcionários pressionem os franqueados durante uma reunião onde questionava os resultados financeiros das unidades. “Não é para falar com o cara, é para pressionar o cara. Isso tem uma diferença gigante”, afirma Carla na gravação.