Os natufianos, considerados um dos primeiros grupos a iniciar a agricultura e a transição de um estilo de vida nômade para um sedentário, já produziam, de maneira intencional, objetos simbólicos em cerâmica muito antes das inovações conhecidas da época. Curiosamente, algumas dessas peças eram confeccionadas até mesmo por crianças.
As decorações, com uma idade estimada em 15 mil anos, pertencem a uma civilização pré-histórica que habitava o Levante, região que hoje corresponde a Israel. No total, foram encontrados 142 itens em sítios arqueológicos no norte do país, representando as mais antigas peças de cerâmica já registradas no Sudoeste Asiático.
O estudo, coordenado por Davin, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, teve seus resultados divulgados na revista Science Advances nesta quarta-feira (18/3). Os ornamentos, predominantemente pequenos e muitos feitos com ocre vermelho, revelam que a variedade e a quantidade das contas de cerâmica indicam que esse artesanato servia como uma forma de comunicação visual entre os natufianos.
Entre os 19 tipos de contas identificados, a maioria imitava a forma das plantas que o antigo povo colhia e consumia, sugerindo um significado simbólico ligado à natureza, além de sua função como fonte de alimento. Ao examinar as impressões digitais deixadas nos objetos, os pesquisadores descobriram que pertenciam a adultos, adolescentes e crianças, o que sugere que a confecção desses itens era uma atividade com um caráter educacional, transmitindo valores sociais entre as gerações.
Até então, acreditava-se que o uso simbólico da cerâmica havia surgido somente com a introdução da agricultura. No entanto, essa nova descoberta desafia essa teoria. “Esses objetos demonstram que mudanças sociais e cognitivas significativas já estavam em andamento entre os natufianos”, afirma Leore Grosman, um dos autores do estudo.
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