Utilizando um dos instrumentos do Rover Perseverance, da NASA, pesquisadores identificaram um delta antigo enterrado sob uma área previamente explorada pelo robô em Marte. Este delta representa um sistema fluvial que se forma quando um rio deságua, acumulando sedimentos transportados em uma nova localização.
Além dessa nova evidência, os cientistas já haviam encontrado vários indícios de que a água esteve presente em grandes quantidades no planeta, como formações paisagísticas e minerais que se originaram a partir da água líquida. Contudo, a recente descoberta sugere que Marte era “úmido” muito antes do que se pensava anteriormente.
A revelação foi realizada por meio do radar Rimfax, instalado no Perseverance. Este equipamento funciona como um “ultrassom” do solo, enviando ondas para investigar as camadas subterrâneas. Com isso, é possível identificar formações rochosas, antigos depósitos de sedimentos e estruturas ocultas, como o delta em questão.
O estudo, liderado pela Universidade da Califórnia em colaboração com cientistas internacionais, teve seus resultados publicados na revista Science Advances. Entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, foram feitas quase 80 passagens pela cratera Jazero, permitindo ao radar coletar informações em uma área de aproximadamente 6,1 km, a profundidades superiores a 35 metros.
A análise dos dados obtidos pelo Rimfax revelou a presença de um delta oculto, mostrando camadas inclinadas e estruturas características que surgem quando sedimentos são transportados por rios e se acumulam em lagos ou mares. Esses traços confirmam a existência de um sistema fluvial.
Essa detecção sugere que a água não esteve presente em Marte por um curto período, mas sim fluiu ao longo de milhões de anos, criando pelo menos dois sistemas fluviais distintos. Como os deltas podem preservar bioassinaturas, incluindo restos de bactérias e moléculas orgânicas, o próximo passo será investigar essas formações para desvendar mais sobre o passado aquático do planeta vermelho.
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