Recentemente, um vídeo de um filhote de macaco procurando consolo em um brinquedo de pelúcia, após ser rejeitado pela mãe e pelos demais membros de seu grupo, se espalhou rapidamente pelas redes sociais. Esse momento tocante foi registrado no zoológico de Ichikawa, no Japão, e o pequeno primata, chamado Punch, rapidamente ganhou notoriedade, gerando apoio e desejos de adoção por parte do público.
Embora tenha gerado indignação e empatia nas plataformas digitais, especialistas consultados pelo Metrópoles afirmam que, do ponto de vista biológico, essa rejeição é um comportamento recorrente na natureza. Esse fenômeno pode ocorrer em diversas circunstâncias, seja para assegurar a sobrevivência da prole mais forte ou devido a conflitos interpessoais entre os membros do grupo. As principais razões que podem levar um indivíduo a ser excluído incluem:
A ecóloga Morgana Bruno, professora na Universidade Católica de Brasília (UCB), explica que essa dinâmica é parte de uma estratégia evolutiva que remonta à formação de certos grupos animais. “Apesar de parecer cruel sob uma perspectiva moral humana, do ponto de vista biológico, essa prática é frequentemente adaptativa. Tais comportamentos asseguram que apenas os indivíduos mais saudáveis e integrados permaneçam no grupo, reduzindo riscos de infecções e garantindo que os recursos limitados sejam direcionados para a perpetuação dos genes mais robustos”, argumenta a especialista.
Para os humanos, a rejeição pode ser uma experiência emocional dolorosa, capaz de causar desconforto físico. Mesmo sem um cérebro tão desenvolvido quanto o nosso, os animais também experimentam sensações semelhantes. Kamilla ressalta que pesquisas em primatas demonstram que a rejeição ativa áreas do cérebro relacionadas ao sofrimento e eleva os níveis do hormônio do estresse, o cortisol. No caso do macaco Punch, ele precisou de acompanhamento cuidadoso devido ao estresse gerado pela separação.
“Outro exemplo notável de dor social é o de uma orca que carregou seu filhote falecido por dias, um comportamento que se assemelha ao luto. Golfinhos em cativeiro também manifestam comportamentos autodestrutivos, como bater a cabeça, o que é comparável a um estado depressivo humano”, ilustra a bióloga.
A formação de grupos entre os animais não acontece por acaso. Viver em comunidade é crucial para aumentar as chances de sobrevivência durante ataques de predadores. Além disso, quanto mais membros na busca por alimento, maior a eficácia na caça. Em ambientes frios, a vida em grupo é vital para a manutenção do calor através do contato físico. Diante de tantas vantagens, os especialistas consideram a convivência em grupo uma estratégia evolutiva benéfica.
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