Originárias da China, as moscas-lanternas-pintadas (Lycorma delicatula) têm se espalhado rapidamente pelos Estados Unidos desde 2024. Um estudo recente aponta que essa rápida disseminação se deve a adaptações genéticas que tornaram esses insetos mais resistentes ao calor das áreas urbanas e até mesmo aos pesticidas.
Os cientistas observaram que, em vez de sucumbir aos desafios dos ambientes urbanos, esses insetos transformaram as cidades em um ambiente propício para aprimorar suas características biológicas. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Nova York em colaboração com diversas instituições americanas, foi publicada na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences nesta quarta-feira (4/2).
Os dados sobre a adaptação das moscas foram obtidos por meio do sequenciamento de genomas de insetos coletados em áreas urbanas e rurais da China, assim como em estados dos EUA como Connecticut e Nova Jersey. A comparação entre as moscas urbanas e rurais revelou diferenças genéticas significativas, com o pesquisador Fallon destacando que, mesmo em uma distância de apenas 30 quilômetros, existe uma forte diferenciação populacional.
Os resultados sugerem que as moscas urbanas desenvolveram resistência genética a estresses típicos das cidades, apresentando maior capacidade de adaptação ao calor e habilidade de desintoxicar e metabolizar substâncias tóxicas e pesticidas, algo que não foi observado nas populações rurais.
Por outro lado, as moscas nos Estados Unidos mostraram-se geneticamente homogêneas, independentemente da localização. Isso indica que a evolução ocorrida na China preparou esses insetos para os desafios enfrentados em solo americano.
Embora seu nome sugira, a mosca-lanterna-pintada não é, de fato, uma mosca. Ela pertence à família dos percevejos-das-plantas e se alimenta através da sucção da seiva das plantas, liberando um fluido pegajoso e açucarado que favorece o crescimento de fumos, um tipo de fungo que prejudica a fotossíntese das plantas. Além disso, essa secreção atrai abelhas, que acabam colhendo o néctar do resíduo em vez de procurar nas flores.
Esse inseto já foi encontrado em 19 estados americanos e também se espalhou pela Coreia do Sul e Japão. Fique por dentro das últimas novidades em Saúde e Ciência através do nosso canal de notícias no WhatsApp. Para mais informações sobre ciência e nutrição, acesse as nossas reportagens de Saúde.