O dióxido de carbono (CO2), considerado o principal responsável pelo aquecimento global, também atua como um insumo vital na fotossíntese das plantas, um fenômeno conhecido como fertilização por CO2. Inicialmente, acreditava-se que um aumento nos níveis de CO2 na atmosfera levaria a uma maior absorção por parte da vegetação, contribuindo assim para a mitigação do aquecimento global.
Entretanto, as plantas também necessitam de nitrogênio (N), um nutriente crucial para a síntese de proteínas, enzimas e clorofila. Quando os níveis de nitrogênio não são adequados, a habilidade das plantas de utilizar CO2 diminui, mesmo quando este gás está presente em quantidades elevadas no ar.
Uma nova pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Simon Fraser, no Canadá, sugere que os modelos climáticos que analisam o sistema terrestre têm superestimado a disponibilidade de nitrogênio em ecossistemas naturais, o que pode alterar nossa compreensão sobre a interação entre os gases e as plantas, além de seu impacto ambiental.
A coautora do artigo, Bettina Weber, destaca: “Realizamos uma comparação entre diferentes modelos do sistema terrestre e os dados atuais sobre a fixação de nitrogênio, e encontramos que esses modelos superestimam a taxa de fixação de nitrogênio em superfícies naturais em cerca de 50%.”
Sob a liderança da cientista Sian Kou-Giesbrecht, a pesquisa foi publicada no final de novembro na revista PNAS. É importante ressaltar que as plantas não conseguem utilizar o nitrogênio diretamente do ar; este gás é convertido em uma forma que pode ser absorvida por meio de microrganismos presentes no solo, num processo conhecido como fixação de nitrogênio.
Embora o uso de fertilizantes tenha elevado a taxa de fixação de nitrogênio na agricultura em 75% nos últimos 20 anos, florestas e savanas, que dependem exclusivamente de recursos naturais, não apresentaram essa mesma melhoria. Os pesquisadores acreditam que esse aspecto foi negligenciado nos modelos atuais, que assumem uma disponibilidade uniforme de microrganismos em todos os ambientes.
Com a redução do nitrogênio disponível, as plantas perdem parte de sua capacidade de absorver CO2. O estudo indica que, devido a essa limitação, a fertilização por dióxido de carbono pode ter diminuído em cerca de 11% nas projeções realizadas.
Diante disso, os cientistas enfatizam a importância de atualizar os modelos com dados mais recentes para obter previsões mais precisas sobre o futuro dos ecossistemas e do clima. Bettina também alerta: “Gases como óxidos de nitrogênio e óxido nitroso são gerados durante o ciclo do nitrogênio e podem ser liberados na atmosfera, influenciando ou interrompendo os processos climáticos.”
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