A partir de novas evidências descobertas no sítio arqueológico de Barnham, na Inglaterra, uma equipe de pesquisadores europeus chegou à conclusão de que os humanos começaram a dominar o fogo há pelo menos 400 mil anos, uma data que antecede em cerca de 350 mil anos as estimativas previamente aceitas. A pesquisa foi divulgada na última quarta-feira (10/12) na revista científica Nature.
Pesquisas anteriores sugeriam que os neandertais, que viveram em partes da França há aproximadamente 50 mil anos, eram os primeiros a dominar o uso controlado do fogo. No entanto, essa teoria foi contestada pelos novos achados.
O controle do fogo foi crucial para a sobrevivência e evolução da espécie humana. Ele não apenas facilitou o cozimento de alimentos e contribuiu para o desenvolvimento humano, mas também forneceu luz e calor. Na época, o fogo era vital para proteção contra predadores e para a preparação de armas de caça.
As evidências foram encontradas no sítio arqueológico de Barnham, situado no condado de Suffolk. Durante as escavações, arqueólogos do Museu Britânico identificaram sedimentos aquecidos e bifaces de sílex (uma ferramenta pré-histórica) com marcas de fogo, próximos a fragmentos de pirita de ferro. Este mineral era amplamente utilizado para gerar faíscas quando combinado com sílex.
Análises adicionais confirmaram que as evidências não eram resultado de incêndios naturais, como queimadas ou descargas elétricas. Estudos também sugeriram que a pirita não era comum na área e provavelmente foi intencionalmente trazida para o local com o objetivo de produzir fogo.
Os autores do estudo destacaram que o advento dessa habilidade tecnológica trouxe significativos benefícios sociais e adaptativos, como a capacidade de cozinhar alimentos a qualquer momento — especialmente carne — o que aumentou a digestibilidade e a disponibilidade de energia, possivelmente influenciando crucialmente a evolução cerebral dos hominídeos.
Fique por dentro de todas as novidades em Saúde e Ciência! Inscreva-se no canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp para receber atualizações. Para mais informações sobre ciência e nutrição, explore todas as reportagens na seção de Saúde.