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Inovadores brasileiros desenvolvem nova abordagem para a produção de soros antiofídicos

Yongkiet/ Getty Images

*Este artigo é uma colaboração dos pesquisadores Russolina Zingali, Carlos Corrêa Netto, Débora Foguel e Luis Eduardo Ribeiro da Cunha, publicado na plataforma The Conversation Brasil.
A cada 10 segundos, uma pessoa é mordida por uma cobra em alguma parte do mundo. Anualmente, entre 1,8 a 2,7 milhões de indivíduos são envenenados por serpentes, resultando em uma estimativa de 81 a 138 mil fatalidades e cerca de 400 mil sobreviventes que enfrentam sequelas permanentes, como perda de membros ou limitações motoras. Apesar dessas alarmantes estatísticas, o assunto recebe escassa atenção tanto do ponto de vista político quanto científico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o envenenamento por picadas de cobra como um sério problema de saúde pública, especialmente em países tropicais e subtropicais em desenvolvimento. Esses incidentes ofídicos são considerados uma doença tropical negligenciada, pois apresentam características que os tornam alguns dos problemas mais graves, mas frequentemente ignorados.
Esses acidentes são mais comuns entre trabalhadores rurais, como agricultores, seringueiros e pescadores, além de afetar comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, bem como pessoas que residem em áreas afastadas de serviços de saúde.
No Brasil, um país com grande diversidade e extensão territorial, as picadas de cobra ocupam o segundo lugar entre as causas de envenenamento por animais peçonhentos registrados em humanos. O grande desafio reside no tratamento desses acidentes. Embora haja acesso ao soro antiofídico e sua distribuição seja feita gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional, enfrentamos diversos obstáculos relacionados ao transporte e armazenamento adequados do soro para as populações em risco. Outro desafio crucial é capacitar os profissionais de saúde para o manejo correto do tratamento em casos de acidentes ofídicos.
Dados de notificações oficiais brasileiras entre 2012 e 2021 revelam 202.604 casos de envenenamento por serpentes do gênero Bothrops, o que resulta em uma média de aproximadamente 20.260 casos por ano. Os acidentes botrópicos, causados por espécies como jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, comboia, cruzeira e cotiara, são os mais relevantes, pois incluem cerca de 30 espécies distribuídas por todo o Brasil. Esses animais habitam diversos ambientes, desde margens de rios e igarapés até áreas litorâneas, agrícolas e periurbanas, cerrados e regiões abertas.
Os sintomas mais comuns na área da picada incluem dor e inchaço, além de possíveis manchas arroxeadas (edemas e equimoses) e sangramentos nas gengivas, pele e urina. Em casos mais graves, pode haver complicações como hemorragias severas em regiões vitais, infecções, necrose no local da picada e insuficiência renal.
O soro antiofídico é a única terapia reconhecida e específica para tratar acidentes ofídicos. A escassez de soros antiofídicos eficazes e adequados para uso regional é um problema de saúde pública que persiste globalmente. Em países africanos e asiáticos, onde as picadas de cobra ainda resultam em mortes ou morbidades, essas questões são frequentemente negligenciadas por governos e fabricantes de antiveneno.
Desde 2012, a OMS tem abordado essa questão em seus documentos. Seu comitê de especialistas em Padronização Biológica (ECBS) identificou que, para enfrentar essa crise, alguns desafios precisam ser superados para assegurar a qualidade, segurança e eficácia dos soros antiofídicos. Nesse contexto, é fundamental focar na produção de antivenenos específicos e acessíveis.
Um aspecto relevante, mas pouco discutido, na comunidade científica é o custo-benefício do uso de grandes animais para a produção de soros antiofídicos. Os equinos são os preferidos para a obtenção de plasma hiperimune, pois seu tamanho permite a coleta de volumes consideráveis. Portanto, a perda desses animais acarreta significativas consequências econômicas e clínicas.
Embora a OMS recomende cuidados clínicos veterinários e suporte adequado para garantir o bem-estar dos animais, complicações como úlceras, abscessos, necrose local e hemorragias, que comprometem a saúde do animal ou levam à morte, são monitoradas durante todo o processo de imunização. Além disso, a janela de utilização dos animais é relativamente curta devido à toxicidade do veneno. Em razão disso, pesquisas estão sendo realizadas para obter antígenos com baixa toxicidade e maior resposta imune, já que algumas serpentes possuem venenos com baixa capacidade imunogênica, mas alta toxicidade.
Em busca de alternativas para a produção de soros antiofídicos, nosso grupo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INCT/CNPq), do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Vital Brazil, publicou recentemente um estudo na revista Toxins, no qual descrevemos nossas experiências com a alta pressão hidrostática (APH) para o desenvolvimento de soros.
A APH envolve submeter líquidos, soluções, proteínas isoladas, extratos ou até mesmo células, como bactérias e vírus, a pressões significativamente superiores às encontradas nas profundezas do mar, com o objetivo de modificar a estrutura das moléculas, células ou vírus.
Neste estudo, utilizamos a APH para inativar o veneno de Bothrops jararacussu. Nosso protocolo resultou na perda ou diminuição de várias atividades biológicas do veneno. Os cavalos foram imunizados com o veneno pressurizado, e é importante destacar que, ao contrário do veneno nativo, esse procedimento não causou danos aos animais. Além disso, o soro obtido a partir do veneno pressurizado conseguiu neutralizar eficientemente todas as atividades biológicas do veneno de B. jararacussu.
Os resultados indicaram que as titulações de anticorpos foram superiores no soro produzido com o veneno pressurizado em comparação ao soro gerado com o veneno nativo. Mais ainda, esse antiveneno mostrou-se eficaz não apenas contra o veneno de B. jararacussu, mas também contra os venenos de outras espécies e gêneros.
Adicionalmente, é importante ressaltar que esse método está relacionado à redução dos efeitos tóxicos nos animais imunizados e a uma maior potência do antiveneno. Em conclusão, nossos dados demonstram uma nova técnica promissora para a produção de soro hiperimune utilizando veneno inativado por alta pressão hidrostática.
A APH tem sido aplicada para inativação viral com o intuito de facilitar o desenvolvimento de vacinas, especialmente quando a imunogenicidade é mantida ou até aumentada. Essa aplicação tem mostrado grande potencial. Em 2008, um estudo utilizou a alta pressão hidrostática para inativar o vírus da febre amarela e desenvolver uma vacina. O tratamento eliminou a infectividade do vírus em camundongos, que apresentaram proteção completa contra o desafio letal do vírus.
Carlos Dumard e outros cientistas também utilizaram o vírus da influenza aviária H3N8 inativado por alta pressão hidrostática, obtendo resultados impressionantes, com os animais imunizados completamente protegidos contra a infecção pelo vírus nativo.
Embora o potencial da alta pressão hidrostática para a produção de vacinas e seu uso em diversos estudos com diferentes tipos de proteínas sejam promissores, até o momento, poucos artigos exploraram seu efeito sobre toxinas purificadas de animais peçonhentos, geralmente em contextos estruturais.
Esperamos que nossos resultados incentivem outros grupos de pesquisa ao redor do mundo a transformar a negligência histórica em relação aos acidentes ofídicos em estratégias robustas de controle.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade