Informações provenientes de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) indicam que a Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas) está se expandindo. Este fenômeno se estende de regiões na África até a América do Sul, incluindo o Brasil, onde o campo magnético da Terra apresenta uma diminuição de intensidade, criando uma “brecha” no escudo natural protetor do planeta nessas áreas.
Um estudo conduzido pela ESA revela que, nos últimos 11 anos, a anomalia cresceu 0,9% em sua área de abrangência. Os achados foram divulgados em setembro na revista científica Physics of the Earth and Planetary Interiors.
A Amas representa uma zona onde o campo magnético da Terra é consideravelmente mais fraco. Imagine o campo magnético terrestre como um “escudo” natural que protege contra a radiação cósmica e solar que permeia o planeta. Ao atingir as áreas afetadas pela anomalia, essa proteção se torna vulnerável, permitindo que partículas carregadas de prótons e elétrons provenientes do espaço alcancem altitudes inferiores com maior facilidade.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo afirmam que a falha no escudo não causará danos físicos às infraestruturas urbanas, porém, a penetração dessas partículas pode influenciar as redes tecnológicas locais, comprometendo satélites, comunicações e sistemas de navegação, como o GPS. Aeronaves e astronautas que atravessarem a Amas também podem estar expostos a níveis elevados de radiação.
Os satélites da ESA demonstram que o fenômeno não é uniforme e apresenta comportamentos distintos entre a América do Sul e a África.
Embora ainda não se tenha uma compreensão precisa das causas da anomalia, a agência espacial planeja continuar as investigações sobre o campo magnético terrestre até pelo menos 2030, utilizando os satélites da missão Swarm. A expectativa é que essas pesquisas proporcionem esclarecimentos que ajudem a entender melhor a Amas e outros ciclos naturais da Terra.
Para receber atualizações sobre Saúde e Ciência, inscreva-se no canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp e mantenha-se informado. Para mais conteúdos sobre ciência e nutrição, confira todas as notícias da seção de Saúde.