As mudanças climáticas têm causado transformações notáveis na África do Sul. Além do aumento das temperaturas e da aridez, um estudo recente da Universidade de Bonn, na Alemanha, revelou que o solo sul-africano está se elevando até dois milímetros por ano. A pesquisa foi publicada em abril no Journal of Geophysical Research: Solid Earth.
Os especialistas já estavam cientes de que o terreno do país apresentava elevação, mas anteriormente essa mudança era atribuída ao movimento do manto terrestre, especialmente a uma formação geológica conhecida como hotspot de Quathlamba. Agora, novas evidências sugerem que essa elevação pode estar relacionada a secas severas e à diminuição dos recursos hídricos subterrâneos e superficiais, consequência das mudanças climáticas.
A equipe de pesquisa utilizou dados de uma rede de estações do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) na África do Sul, normalmente empregada em estudos atmosféricos, que também fornece medições precisas sobre a altitude de diferentes regiões do país. “Esses dados indicaram um aumento médio de seis milímetros entre 2012 e 2020”, declarou Makan Karegar, geodesista da Universidade de Bonn.
Para aprofundar a análise, os pesquisadores correlacionaram as informações de elevação do GNSS com padrões de precipitação e outras variáveis hidrológicas, revelando que áreas que enfrentaram secas severas nos últimos anos apresentaram uma elevação do solo mais significativa. Um exemplo marcante ocorreu na Cidade do Cabo, durante a seca de 2015 a 2019, que culminou no “dia zero” – quando a cidade ficou um dia inteiro sem abastecimento de água.
Dados da missão Grace da NASA, em colaboração com o Centro Aeroespacial Alemão, que monitoram a gravidade da Terra e as variações na massa de água, também indicaram que regiões com menor volume de água sofreram elevações mais pronunciadas.
Por fim, os cientistas integraram essas informações a modelos hidrológicos de alta resolução, reforçando a relação entre a perda de água e a elevação da crosta terrestre. A descoberta da elevação do solo na África do Sul pode servir como um ponto de partida para desenvolver novas estratégias de monitoramento de recursos hídricos em outras áreas, especialmente em regiões com intensa exploração, como a agricultura.
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