Eduardo Paes (PSD) anunciou nesta sexta-feira (20/3) sua renúncia ao cargo de prefeito do Rio de Janeiro, com o objetivo de concorrer ao governo do estado pela terceira vez. Durante uma cerimônia no Palácio da Cidade, ele passou a administração para Eduardo Cavaliere (PSD), seu vice, que se torna o prefeito mais jovem da história da capital.
Em sua carta de renúncia, dirigida à Câmara de Vereadores, Paes expressou que sua decisão de se candidatar ao Palácio Guanabara foi resultado de profunda reflexão e da convicção de que tem um compromisso a cumprir com o estado do Rio de Janeiro.
Eduardo Paes, que já ocupou a Prefeitura por quatro mandatos, lidera atualmente as pesquisas de intenção de voto e conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem agradeceu durante seu discurso de despedida. “Minha candidatura não é apenas um desejo pessoal. Não posso desconsiderar essa missão”, afirmou Paes.
Nos últimos tempos, o ex-prefeito esteve envolvido em debates acalorados com o atual governador, Cláudio Castro (PL), que insinuou uma ligação entre a Prefeitura e o crime organizado após uma operação da Polícia Civil que resultou na prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD). Paes respondeu às acusações, chamando Castro de “omisso” na luta contra a criminalidade e o acusou de usar as forças policiais para fins políticos. Logo em seguida, a Justiça fluminense determinou a libertação do vereador, reconhecendo que os fundamentos da operação eram frágeis.
Durante a cerimônia de despedida, Paes ressaltou os problemas na segurança pública do estado, que devem ser uma das principais pautas de sua campanha ao Guanabara. Ele declarou que o estado enfrenta uma “grave crise” e que a população não aceitará ver um governador “transferindo a responsabilidade pela segurança pública ao presidente da República”.
Outro ponto de tensão envolveu a criação de uma nova linha de ônibus que ligaria a capital à Baixada Fluminense. O Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro) alegou que o município não tinha autorização para operar linhas intermunicipais e chegou a rebocar veículos que estavam na rota.
Além das disputas, Paes tem buscado ampliar sua conexão com segmentos eleitorais mais próximos do grupo de Castro, que deve apoiar Douglas Ruas (PL) como candidato ao governo estadual. Um de seus movimentos foi a escolha da advogada Jane Reis, ligada à Assembleia de Deus, como vice em sua chapa para 2026. Jane, que faz parte da família Reis, possui laços com a Baixada Fluminense, a segunda maior zona eleitoral do estado.
Recentemente, Paes pediu, em um encontro com líderes evangélicos, orações pela saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um gesto que parece vislumbrar consolidar sua candidatura antes que o grupo de Bolsonaro se envolva diretamente na campanha de Ruas. Na eleição anterior ao Guanabara, Paes também liderava as pesquisas, mas acabou perdendo para Wilson Witzel, que recebeu apoio de Bolsonaro.
Em seu discurso de despedida, Paes mencionou Witzel, afirmando que, em 2018, os eleitores foram enganados por “falsas promessas” de um “farsante”. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele afirmou que, ao deixar a prefeitura, está encerrando “o mais longo e significativo capítulo da minha vida até aqui”.
O ex-prefeito expressou confiança ao entregar a cidade “em boas mãos”, referindo-se a Eduardo Cavaliere, que já ocupou cargos como secretário de Meio Ambiente, deputado estadual e chefe da Casa Civil na gestão de Paes. Cavaliere, de perfil técnico, agradeceu a oportunidade de trabalhar ao lado de Paes e prometeu servir ao Rio.
Ao comunicar sua renúncia, Paes assegurou que deixa o cargo com “paz de espírito”, confiando que Eduardo Cavaliere dará continuidade às políticas públicas bem-sucedidas. Ele também manifestou gratidão pelos mais de 4,8 mil dias à frente da Prefeitura e reiterou que tem um “dever a cumprir com o Estado do Rio de Janeiro”.
A carta completa de renúncia foi publicada no Diário Oficial da Câmara de Vereadores do Rio, onde Paes expressou seu comprometimento com a cidade e sua determinação em buscar um legado de transformações para as futuras gerações.