O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 9 de dezembro de 2022 que Fernando Haddad assumiria o cargo de ministro da Fazenda em seu terceiro mandato. Desde então, até sua saída do cargo nesta semana, Haddad vivenciou uma série de vitórias e derrotas.
No momento da sua nomeação, o mercado financeiro se mostrava relativamente estável, reflexo da antecipação da indicação por parte dos investidores. Antes disso, no entanto, havia um clima de apreensão nos mercados. Em 12 de janeiro, Haddad apresentou um conjunto de propostas voltadas à recuperação fiscal do país, com foco em reduzir a complexidade tributária e aumentar a arrecadação para sustentar sua visão econômica.
Entre os pontos de destaque estavam a previsão de arrecadação de R$ 15 bilhões com a regulamentação dos sites de apostas e a revisão de benefícios fiscais que totalizavam R$ 400 bilhões. O ministro também iniciou discussões sobre a tão aguardada Reforma Tributária, que já se arrastava por quase quatro décadas.
Durante 2023, Haddad conseguiu aprovar o arcabouço fiscal e a Reforma Tributária, apesar das dificuldades causadas por declarações de Lula sobre gastos públicos, que dificultaram sua credibilidade. No entanto, em 2024, o cenário começou a mudar. Após um primeiro ano positivo, com boas relações no Congresso e a confiança dos mercados, o segundo ano trouxe novos desafios. O foco do ministro em aumentar a arrecadação lhe rendeu o apelido de “Taxad”.
As promessas de contenção fiscal foram questionadas devido às intenções do Executivo de aumentar os gastos, e a popularidade de Haddad começou a cair. O ano de 2025 se revelou um misto de conquistas e reveses nas áreas de isenção tributária e arrecadação. Entre os sucessos, destaca-se a isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil e a aprovação de um projeto de lei contra devedores contumazes.
No entanto, Haddad enfrentou reveses, como na tentativa de aumentar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Receita Federal também tentou ampliar o monitoramento das operações via Pix, mas a medida foi revogada após forte oposição. A relação do ministro com o mercado financeiro se deteriorou após o anúncio da isenção do Imposto de Renda, que foi interpretado como um sinal de aumento de gastos públicos, resultando em uma queda do valor da bolsa e do real.
Uma das batalhas mais difíceis de Haddad em 2025 foi a tentativa de alterar a tributação do IOF, que foi revertida após a aprovação de um projeto no Senado que derrubou um decreto do governo. Embora novas negociações tenham surgido, uma medida provisória que visava arrecadar R$ 20 bilhões não foi aprovada a tempo, mas a discussão foi retomada com um Projeto de Lei Complementar que passou pelo Congresso no final do ano.
Além disso, Haddad viu avanços na regulamentação da Reforma Tributária, com a sanção de leis que aumentaram a tributação sobre fintechs e apostas, como parte de um esforço para aumentar a arrecadação sem depender somente de impostos sobre a renda.
Ao final de 2025, Haddad também se destacou no combate ao crime organizado, propondo um acordo de cooperação com os Estados Unidos. No encerramento de seu mandato, ele conseguiu assegurar a continuidade do trabalho com a nomeação de seu sucessor, Dario Durigan, e agora se prepara para uma nova batalha política, disputando a governadoria de São Paulo, onde enfrentará o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).