O senador Sergio Moro, que é pré-candidato ao governo do Paraná, planeja se filiar ao PL na próxima semana. O ex-juiz está deixando o União Brasil, onde enfrentava dificuldades para consolidar sua candidatura devido à resistência do PP.
A movimentação para a entrada de Moro na legenda liderada por Valdemar Costa Neto foi discutida nesta quarta-feira (18/3). Inicialmente, o senador se reuniu com representantes do PL, incluindo o pré-candidato à presidência do partido, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em seguida, ele se encontrou com líderes do União Brasil e do PP, onde formalizou sua saída.
Moro chega ao PL com o respaldo da cúpula nacional, visando a disputa pelo Palácio Iguaçu. Considerado o favorito nas pesquisas de intenção de voto, o senador enfrentava um impasse na federação entre o União Brasil e o PP, que ameaçava sua candidatura. Embora tenha o apoio do União Brasil, Moro não contava com a aceitação do PP estadual, que, no ano passado, decidiu não apoiar sua candidatura.
O PL vinha demonstrando interesse em Sergio Moro nas últimas semanas. O ex-juiz é visto como o candidato preferido pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio, para a disputa ao governo do estado. A avaliação dentro do PL é de que a presença de Moro fortalecerá a campanha de Flávio Bolsonaro.
Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro se referiu a Moro como “amigo” e o anunciou como “nosso pré-candidato a governador do Paraná”. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, comentou que a adesão de Moro pode alavancar sua candidatura, possivelmente levando-o a uma vitória no primeiro turno. “Moro está se destacando [nas pesquisas]. Com o número 22 [do PL], ele pode aumentar sua vantagem e vencer logo no primeiro turno”, afirmou o dirigente.
A filiação de Moro também sinaliza uma reaproximação do ex-ministro da Justiça com o círculo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Moro havia deixado o governo Bolsonaro acusando o então presidente de interferir na Polícia Federal. Durante sua tentativa de se estabelecer como candidato a presidente, ele inclusive fez afirmações de que Bolsonaro mentia e mencionou o esquema de “rachadinhas”, que envolveu Flávio Bolsonaro em investigações.
Na chapa de Moro, o deputado Filipe Barros (PL-PR) deverá ser um dos candidatos ao Senado, enquanto a segunda vaga ainda está em discussão, com Deltan Dallagnol, ex-procurador que colaborou com Moro na Operação Lava Jato, sendo um dos nomes considerados.
A adesão de Moro ao PL e o apoio à sua candidatura marcam uma ruptura da legenda com o atual governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Ratinho, que também é pré-candidato à presidência, busca promover um dos seus assessores como sucessor. O governador, que resistiu a sugestões do PL para se retirar da corrida presidencial e formar uma aliança, ainda não anunciou seu candidato.
O rompimento do PL com Ratinho Júnior estava em andamento há algumas semanas. Na quarta-feira passada (11/3), o governador conversou com Rogério Marinho sobre as estratégias locais. Durante o encontro, Ratinho reafirmou sua intenção de seguir na corrida presidencial, enquanto Marinho indicou que essa decisão poderia facilitar o apoio do PL à candidatura de Sergio Moro. Parlamentares do PL interpretaram essa conversa como um “ultimato”, que se concretizou nesta quarta (18/3).
Ao ser questionado sobre a separação do grupo político do governador, Valdemar Costa Neto declarou que Ratinho Júnior “mora” em seu “coração”, mas ressaltou que o governador deve focar em sua candidatura à presidência e que o PL precisa “fazer votos no Paraná”.
O PSD e o PL mantinham um entendimento de que o partido apoiaria o nome indicado por Ratinho ao Palácio Iguaçu, enquanto o governador apoiaria a candidatura de Filipe Barros (PL-PR) ao Senado. Agora, ambos vislumbram sinais de um possível rompimento entre as legendas no estado.