A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está organizando uma missão para fornecer ajuda humanitária a Cuba, em resposta à grave crise que o país caribenho vem enfrentando. A ilha está lidando com sérios problemas energéticos e econômicos, que foram agravados por sanções e restrições impostas pelos Estados Unidos (EUA), as quais ameaçam penalizar nações que enviem petróleo a Cuba, intensificando a crise humanitária.
Fontes ligadas ao governo federal informaram que, a pedido da administração cubana, serão enviadas aproximadamente 80 toneladas de medicamentos, que incluem antifúngicos e produtos para o tratamento de arboviroses. Além disso, está previsto o envio de mais de 20 mil toneladas de alimentos.
A data para o embarque do navio com a carga ainda está sendo definida pelo governo brasileiro, em coordenação com as autoridades cubanas. Esta operação não é a primeira ação do Brasil em resposta ao aumento das tensões em Cuba, devido às novas sanções americanas. No final de fevereiro, o governo já havia enviado 2,5 toneladas de medicamentos para combater a tuberculose.
Assessores destacam a preocupação com a situação humanitária e mencionam que o Brasil pode adotar iniciativas semelhantes às da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que recentemente enviou navios com centenas de toneladas de ajuda ao porto de Havana.
No início deste mês, o Brasil também enviou medicamentos à Bolívia para o tratamento de leishmaniose, doença de Chagas e tuberculose. Em 2023, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores, já prestou assistência humanitária a Bahamas, Uruguai, Haiti e Jamaica.
Na segunda-feira (16/3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou suas ameaças a Cuba, afirmando que teria a “grande honra” de tomar controle do país. Ele alegou que uma possível “libertação” da ilha permitiria “fazer o que quiser” com ela.
Desde o começo do ano, os EUA intensificaram sua pressão sobre Cuba, interrompendo o envio de petróleo da Venezuela, o que agravou ainda mais a crise energética e a falta de recursos no país. Cuba enfrenta um embargo econômico dos Estados Unidos desde a Guerra Fria, uma medida que historicamente tem impactado severamente a economia da ilha. Com o recente endurecimento das sanções, a situação se deteriorou rapidamente, resultando em apagões frequentes, escassez de combustíveis e insegurança alimentar.