Nesta terça-feira (3/3), a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados aprovou uma moção de repúdio em resposta à representação considerada desrespeitosa de famílias evangélicas e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na homenagem prestada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) apresentou a moção, justificando o conteúdo da homenagem, que, segundo ele, retratou famílias conservadoras de maneira depreciativa ao serem representadas em latas de conserva. “Esta Moção de Repúdio é fundamentada na necessidade de proteger os princípios constitucionais que sustentam a República Federativa do Brasil, especialmente os que dizem respeito à dignidade da pessoa humana, liberdade religiosa, igualdade, impessoalidade administrativa e o dever de respeitar todos os setores da sociedade”, afirmou no documento.
A Acadêmicos de Niterói, que foi a primeira escola do Grupo Especial a se apresentar na Marquês de Sapucaí em 15 de fevereiro, homenageou Lula com o samba-enredo intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação destacou a trajetória de vida do presidente, que começou em 1952. O ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula durante o desfile, que foi assistido pelo presidente em um camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde chegou a descer para a avenida.
Em resposta às críticas, a Acadêmicos de Niterói negou ter ofendido os evangélicos e esclareceu o significado da alegoria controversa. “A fantasia apresenta uma lata de conserva, simbolizando a chamada família tradicional, composta por um homem, uma mulher e seus filhos. Os integrantes da escola usaram elementos variados para representar os grupos que defendem o neoconservadorismo”, explicou a agremiação.
Esses grupos incluem representantes do agronegócio (simbolizados por um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), defensores da ditadura militar e grupos religiosos evangélicos. No Congresso Nacional, eles formam um bloco conservador que apoia pautas como a flexibilização do porte de armas, a exaltação das Forças Armadas, e os interesses do agronegócio, além dos valores tradicionais da família.
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