A Receita Federal projeta arrecadar aproximadamente R$ 200 bilhões em 2026 por meio da estratégia denominada “cobrança amigável”. Essa abordagem foca na autorregularização dos contribuintes que possuem pendências tributárias e visa minimizar os conflitos judiciais. A previsão foi divulgada na última quinta-feira (22/1) pelo secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, como parte de um plano governamental para aumentar a arrecadação sem a necessidade de elevar impostos.
Barreirinhas destacou que essa estratégia representa uma mudança significativa na atuação do fisco, que passará a adotar uma postura mais preventiva, priorizando a orientação dos contribuintes e a resolução de problemas antes que se tornem litígios. O objetivo é incentivar o pagamento voluntário de tributos antes do início de processos administrativos ou judiciais, que são mais onerosos e morosos para o governo.
Em 2025, a arrecadação proveniente de medidas de conformidade tributária alcançou R$ 177,5 bilhões, superando os R$ 171,2 bilhões registrados em 2024. Para 2026, as expectativas são de um novo crescimento, impulsionado pela ampliação das ferramentas de autorregularização e pelo uso intensivo de dados para detectar inconsistências fiscais.
O plano também prevê um tratamento mais colaborativo para os contribuintes que cometem erros ou não pagam tributos de forma inadvertida, enquanto se adotará uma postura mais rigorosa em relação aos devedores contumazes, que são vistos como reincidentes e estratégicos na inadimplência. A Receita Federal considera essa diferenciação crucial para aumentar a eficácia da cobrança e melhorar o ambiente de negócios.
Essa estimativa de arrecadação ocorre em um contexto de pressão do governo para atingir as metas fiscais estabelecidas no novo arcabouço, especialmente em 2026, quando a equipe econômica trabalha com a expectativa de um superávit primário. Diante da resistência do Congresso Nacional a novos aumentos de impostos, a recuperação de créditos é considerada uma das principais alternativas para equilibrar as contas públicas.