Na quinta-feira (18/12), o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, por maioria de votos, que o racismo estrutural é uma realidade no Brasil, além de identificar sérias violações aos direitos fundamentais da população negra. Os ministros estipularam um prazo de 12 meses para que a União desenvolva um novo plano ou revise o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir), junto a outras medidas necessárias.
A decisão foi tomada com base na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 973), que abordou a violação sistemática dos direitos fundamentais dos negros e solicitou a implementação de ações de reparação e políticas públicas voltadas a essa população.
O processo foi movido por um conjunto de partidos, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSol), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Rede Sustentabilidade, Partido Verde (PV) e Partido Democrático Trabalhista (PDT). Essas legendas argumentaram que o Estado brasileiro cometeu “graves lesões aos direitos fundamentais da Constituição”, através de ações e omissões que resultam na violação contínua dos direitos à vida, saúde, segurança e alimentação digna da população negra.
Sob a relatoria do ministro Luiz Fux, a ADPF recebeu a maioria dos votos favoráveis ao reconhecimento da omissão sistemática do Estado em combater as violações de direitos da população negra, sugerindo que o governo implemente uma série de políticas de reparação, incluindo um plano nacional para o enfrentamento do racismo, com a colaboração do judiciário. Entretanto, os ministros não aceitaram a declaração de inconstitucionalidade do estado, visto que consideram que já existem medidas em curso que buscam mitigar as omissões históricas.
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