O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cuja cassação de mandato foi formalizada pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (18/12), se pronunciou nesta sexta-feira (19/12) sobre a decisão. A cassação, liderada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ocorreu devido às frequentes ausências do parlamentar, que está autoexilado nos Estados Unidos desde o início do ano e não pôde participar das sessões.
Durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, Eduardo expressou descontentamento com a atitude de seu próprio partido, o PL, e criticou Hugo Motta pela recusa em permitir que ele assumisse o cargo de líder da Minoria na Câmara, após a renúncia da deputada Caroline de Toni (PL-SC) em setembro. “Estou sendo cassado porque o Hugo Motta, de forma inédita, não aceitou minha indicação para líder da Minoria”, disse ele.
Na ocasião, Motta justificou que o parlamentar não poderia desempenhar essa função enquanto estivesse fora do Brasil. Eduardo contestou essa decisão, afirmando que “não é responsabilidade do presidente da Casa saber se estou nos EUA, no meu estado ou na minha cidade natal. É um direito do líder não estar presente”.
Além disso, o ex-parlamentar criticou o primeiro suplente da Mesa Diretora da Câmara, deputado Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), que endossou os atos que resultaram na cassação dele e de Alexandre Ramagem (PL-SP). Segundo Eduardo, Antônio Carlos assumiu a posição na mesa apenas porque foi indicado pelo PL há muito tempo: “Poderia ter colocado pessoas muito mais dignas, mas, enfim, esse tipo de coisa acontece”.
Em relação à declaração do líder do partido, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), sobre uma possível reavaliação interna da situação de Antônio Carlos, Eduardo afirmou que seria bem-vinda a substituição, caso isso seja viável.
Eduardo também fez observações críticas ao PL, lembrando que, em agosto deste ano, o partido decidiu não expulsar Antônio Carlos, mesmo após o deputado ter elogiado o ministro do STF Alexandre de Moraes e criticado o ex-presidente americano Donald Trump. “Quando o PL não consegue manter suas diretrizes, ele acaba se tornando qualquer coisa, menos um partido político. Ele adquire a aparência de um partido do Centrão, que acolhe todos sem uma posição definida. Como um partido pode afirmar que luta pela liberdade quando um de seus membros vota pela cassação de um perseguido político?”, questionou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).