A liderança do União Brasil decidiu não apoiar a proposta de Gustavo Damião para o Ministério do Turismo, evidenciando uma divisão interna no partido. O acordo estabelecido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece contar apenas com o respaldo de uma fração da legenda. Gustavo, que é filho do deputado Damião Feliciano (União-PB), teve seu nome sugerido ao presidente para substituir Celso Sabino na pasta.
A articulação envolvendo Damião ocorreu antes que ele completasse as negociações com o governo Lula, quando ele procurou a direção do partido. Fontes revelam que ele apresentou ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, a carta de desfiliação de Gustavo, garantindo que não haveria retaliações por parte da sigla.
Gustavo ocupava uma posição na executiva estadual do União Brasil na Paraíba, sendo o terceiro vice-presidente, além de ter exercido a função de secretário de Turismo no governo de João Azevedo (PSB). Seu nome foi sugerido pelo pai e seus aliados à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em uma reunião na noite de terça-feira (16/2). Na manhã seguinte, Lula anunciou a saída de Sabino.
Sabino assumiu o ministério em 2023 com o apoio da bancada do União Brasil, mas a legenda acabou rompendo com o governo Lula e exigiu sua saída. Apesar da resistência, ele foi expulso do partido. Atualmente, a situação no Planalto é diferente, enquanto o Centrão enfrenta desafios para se manter competitivo nas eleições de 2026.
Nesse contexto, a indicação de Gustavo Damião é considerada uma estratégia ambígua. De um lado, representa uma ala do União Brasil que se alinha mais ao presidente Lula, potencializando a obtenção de votos em assuntos econômicos. Um influente membro da sigla comentou nos bastidores que a mudança no Ministério do Turismo atende a um grupo que varia de “5 a 30” deputados, refletindo a instabilidade da bancada em relação ao governo.
Por outro lado, essa indicação também beneficia o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que possui uma boa relação com Damião. “Tenho uma ótima relação com o deputado Damião Feliciano e conheço bem o trabalho do Gustavo Feliciano, que foi secretário do Governo da Paraíba. Se essa for a escolha do presidente, será uma escolha acertada”, declarou Motta ao Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha.