A Polícia Federal (PF) divulgou, em um laudo pericial apresentado nesta quarta-feira (17/12), que houve uma tentativa de manipulação da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório aponta que os danos observados no dispositivo possuem “características de execução grosseira, indicando que a ferramenta foi manuseada sem a devida precisão técnica”.
Os especialistas afirmam que a tornozeleira apresenta danos que correspondem ao uso de calor concentrado, um método relacionado a ferramentas como o ferro de solda, além da identificação de resíduos metálicos na região afetada. O documento ressalta que esse tipo de intervenção é capaz de ativar sensores de integridade, gerando alertas no sistema oficial de monitoramento. O ex-presidente reconheceu ter utilizado solda no aparelho.
Os peritos detalham que a “interação física entre um objeto e uma ferramenta pode levar à transferência, impregnação ou aderência de partículas microscópicas”. “As características físicas e as análises realizadas na área danificada sugerem que foi utilizada uma fonte de calor concentrado com ferro em sua composição. Testes feitos com ferro de solda na superfície do material em questão mostraram características compatíveis com os danos constatados. Não foram realizados testes adicionais com outros tipos de ferramentas”, informou o laudo da PF.
Após o acionamento do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime) devido à tentativa de violação, Bolsonaro declarou a uma servidora que “meti um ferro quente aí” e que sua ação foi motivada por “curiosidade”. Em decorrência desse episódio, a prisão domiciliar do ex-presidente foi convertida em prisão preventiva. O incidente ocorreu no mês passado. Atualmente, Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão, devido à condenação relacionada ao caso da suposta trama golpista.