A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada nesta terça-feira (16/12), ressaltou que a taxa básica de juros, a Selic, pode permanecer em patamares elevados por um “período considerável”. Contudo, o documento também indica os aspectos que precisam ser alterados na economia para que o colegiado considere uma possibilidade de diminuição dessa taxa.
A reunião que decidiu pela manutenção da Selic em 15% ao ano foi realizada na última quarta-feira (10/12). O comunicado sobre essa decisão expressou um tom rigoroso, frustrando expectativas sobre quando a Selic poderia ser reduzida.
Diferente do comunicado, a ata é um documento mais detalhado, no qual o Copom expõe sua visão sobre o cenário econômico e elenca os fatores que mais influenciam suas deliberações.
O principal requisito para a redução da taxa básica de juros é que a inflação atinja o centro da meta. De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será considerada cumprida se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%. Nos últimos 12 meses até novembro, a inflação acumulou um aumento de 4,46%, ultrapassando o centro da meta.
Sobre os fatores que pressionam a inflação, a ata menciona que há preocupações relacionadas ao controle dos gastos governamentais, os quais podem estimular a demanda. O crescimento acelerado da demanda por produtos e serviços é um importante fator impulsionador da inflação.
Para 2025, a meta fiscal é de déficit zero, mas há uma tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) (R$ 31 bilhões) para mais ou para menos. Com as exceções previstas, o governo espera um resultado que não ultrapasse o limite inferior, ou seja, um déficit de até 31 bilhões para este ano. As exceções são um conjunto de despesas que não entram na contabilização.
O “aumento de crédito” mencionado pelo Copom está relacionado a iniciativas do governo federal para incentivar a contratação de empréstimos e financiamentos. Um exemplo é o programa Crédito do Trabalhador, que amplia a oferta de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, incluindo também trabalhadores rurais e domésticos, além de Microempreendedores Individuais (MEIs).
O entendimento do Copom é que o cenário permanece desafiador para a diminuição da inflação, especialmente no que diz respeito ao setor de serviços, que foi destacado como um elemento crucial para o início de uma trajetória de queda nas taxas de juros.
“Os fatores inflacionários continuam a ser desafiadores e o Copom seguirá monitorando o ritmo da atividade econômica, que é fundamental para a determinação da inflação, especialmente no setor de serviços.”
O grupo de diretores do BC também considera que o “arrefecimento” nos preços dos serviços é mais “resiliente” em comparação com outros setores. “A inflação de serviços, embora tenha mostrado algum alívio, continua a ser mais resistente, refletindo um mercado de trabalho ativo e uma atividade econômica que apresenta moderação gradual.”
O setor de serviços foi uma das frustrações para a equipe econômica do presidente Lula no último resultado do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador do terceiro trimestre, que encerrou em setembro, teve um crescimento de apenas 0,1%, impactando o resultado global modesto de 0,1%. No segundo trimestre, o setor de serviços havia avançado 0,4%.
Além disso, o preço da energia elétrica foi citado como um dos pontos que requerem atenção. O comitê do BC mencionou a possibilidade de aplicar a bandeira tarifária “amarela” em dezembro, assim como em 2026, o que eleva os custos dessa commodity.
Conforme o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (15/12), o PIB do Brasil para 2025 deve crescer 2,25%. O Ministério da Fazenda projeta um crescimento de 2,2%, enquanto o Banco Central aposta em 2%. No ano de 2024, o PIB brasileiro registrou um crescimento de 3,4%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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