O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, decidiu interromper as transmissões online das missas do padre Júlio Lancellotti, que atua na paróquia São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, há aproximadamente 40 anos. Além disso, foi determinada a proibição do uso de suas redes sociais. Em uma declaração, o padre esclareceu que não foi transferido de paróquia e que a suspensão de suas atividades nas redes é um “recolhimento temporário”. Ele também confirmou que as missas continuam a ser celebradas aos domingos, mesmo sem a transmissão virtual.
As celebrações de padre Júlio eram assistidas por fiéis de diversas partes do Brasil e do exterior, com picos de até 15 mil visualizações. O sacerdote também era bastante ativo nas redes sociais, onde compartilhava suas iniciativas pastorais e opiniões públicas, especialmente sobre a população em situação de rua e o combate à fome.
A decisão da Arquidiocese de São Paulo gerou reações negativas, com muitos fiéis expressando descontentamento nos comentários das postagens da instituição no Instagram. Muitos consideraram a medida uma forma de “perseguição” e tentativas de “silenciamento” do padre. Um internauta questionou: “Censura e perseguição da igreja em pleno século 21? Ordem de silêncio a quem só faz o bem? Cadê a explicação, senhor cardeal?”. Outro comentou: “Uma igreja que quer o silêncio de seus mensageiros realmente reflete a Igreja de Cristo? Serão todas as missas de São Paulo afetadas ou apenas as de um padre específico?”.
Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não emitiu uma nota pública explicando os motivos da decisão ou fornecendo informações adicionais sobre o futuro do padre dentro da estrutura eclesiástica da cidade. Padre Júlio Lancellotti é amplamente reconhecido por seu trabalho com a população em situação de rua, através da Pastoral do Povo da Rua, uma iniciativa ligada à Igreja Católica que abrange distribuição de alimentos, atendimento pastoral e coordenação de projetos sociais.
Dom Odilo Scherer está previsto para se aposentar em abril de 2026, seguindo as diretrizes da Igreja Católica para bispos que completam 75 anos. A mudança ocorre no final de sua gestão à frente da arquidiocese paulistana.