Na terça-feira (16/12), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) apresentou a ata da reunião de dezembro. O grupo avalia que o panorama externo continua instável, mesmo após os Estados Unidos reduzirem algumas tarifas, e menciona um “desânimo” nas reformas estruturais que poderiam fortalecer a “disciplina fiscal” do governo. O documento também destaca que o comitê está preparado para reiniciar o ciclo de aumento da Selic.
O tom da ata manteve a mesma severidade do comunicado que anunciou, na quarta-feira anterior (10/12), a manutenção da Selic em 15%. Em um trecho, o Copom enfatizou que o cenário atual exige uma Selic elevada por um “período substancial”, afastando a expectativa de uma redução iminente.
Além disso, a ata ressalta a necessidade de restringir a concessão de crédito, uma vez que o governo federal tem promovido medidas para sua expansão, e enfatiza a importância de controle rigoroso dos gastos públicos. “O Comitê reafirmou que o desânimo nas reformas estruturais e na disciplina fiscal, o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem aumentar a taxa de juros neutra da economia. O comitê destacou, mais uma vez, a necessidade de uma sinergia entre as políticas fiscal e monetária”, explicaram.
Com relação ao cenário internacional, o Copom vê riscos externos, mesmo após a flexibilização de tarifas por parte dos Estados Unidos, que impactam a economia global. “O ambiente externo permanece incerto devido à conjuntura e às políticas econômicas nos Estados Unidos, refletindo nas condições financeiras mundiais”, afirma um trecho da ata.
No que tange aos fatores internos, o Copom reconhece um arrefecimento da inflação, atribuindo isso à política monetária mais austera, caracterizada pela manutenção da Selic em patamares elevados. Contudo, o colegiado observa que o mercado de trabalho continua bastante ativo. “A inflação dos serviços também apresentou um certo arrefecimento, embora permaneça resiliente, em resposta a um mercado de trabalho dinâmico e a uma atividade econômica que mostra uma moderação gradual.”
Na ata, o comitê detalha os motivos que levaram ao encerramento do ciclo de elevações da Selic, que se mantém em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. Este ciclo de aperto monetário começou em setembro do ano passado, quando o comitê decidiu interromper os cortes e elevar a Selic de 10,50% ao ano para 10,75% ao ano.
Atualmente, a Selic está em seu nível mais alto em quase duas décadas, conforme dados históricos, representando a maior taxa desde julho de 2006, no final do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As próximas reuniões do Copom estão agendadas para as seguintes datas: 27 e 28 de janeiro, 17 e 18 de março, 28 e 29 de abril, 16 e 17 de junho, 4 e 5 de agosto, 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
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