A defesa de Macário Ramos Judice Neto, desembargador que foi preso na terça-feira (16/12) pela Polícia Federal (PF) sob ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentou que o ministro Alexandre de Moraes foi “levado a erro ao tomar uma decisão tão drástica”. A PF deu início à segunda etapa da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas beneficiando o Comando Vermelho (CV), e Judice é suspeito de ter facilitado o repasse de dados sobre uma operação ao deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias.
O advogado do desembargador destacou que sem acesso à cópia da decisão judicial que embasa essas ações, a defesa enfrenta dificuldades para contestar a legalidade da prisão. Judice, que é o relator do caso de TH Joias no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), viu o parlamentar ser detido sob suspeita de envolvimento direto com a facção criminosa e de utilizar sua posição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para facilitar o tráfico de drogas e comércio de armas.
A PF acusa Judice de ter vazado informações sobre a operação que resultou na prisão de TH Joias em setembro, uma conclusão obtida após a análise de mensagens no celular do deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), que foi apreendido durante sua detenção. Bacellar, que já havia sido preso na primeira fase da operação, foi libertado pelo plenário da Alerj e agora usa tornozeleira eletrônica. Durante sua prisão, ele teria passado informações sobre a ação ao deputado e sugerido a destruição de provas.
A Operação Unha e Carne investiga a atuação de agentes públicos envolvidos no vazamento de informações que comprometeram outra investigação, a Operação Zargun, que foi iniciada em setembro. Para a execução das prisões e buscas, foram emitidos mandados pelo ministro Alexandre de Moraes do STF, incluindo ações no Espírito Santo.
Macário Ramos Judice Neto retornou à magistratura em 2023, sendo promovido a desembargador após um afastamento de 18 anos devido a processos relacionados à sua atuação como juiz federal no Espírito Santo. Esse afastamento foi motivado por denúncias do Ministério Público Federal (MPF), e o primeiro afastamento ocorreu em 2005, em um caso que investigava sua suposta participação em um esquema de venda de sentenças ligado à máfia dos caça-níqueis. Embora tenha sido absolvido em 2015, ele permaneceu afastado devido a um processo administrativo disciplinar sobre o mesmo assunto.
Flávia Judice, esposa de Macário Judice Neto, trabalhou no gabinete da diretoria-geral da Alerj até o início deste mês, quando já se desenrolava a investigação que mira o ex-deputado estadual. As apurações que resultaram na prisão de TH Joias revelaram que ele usava sua posição na Alerj para facilitar a compra e venda de drogas, além da negociação de fuzis e armas antidrones, que seriam enviados ao Complexo do Alemão.
Na época, a operação foi realizada em conjunto pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Civil, através da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ), resultando em 18 mandados de prisão e 22 de busca, além do sequestro de R$ 40 milhões em bens.