O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a reconhecer a importância das atividades do Congresso Nacional, mesmo diante das tensões existentes entre o governo e a liderança do Legislativo. Durante a inauguração da Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) nesta segunda-feira (15/12), Lula afirmou estar “muito grato” pelas aprovações de projetos do governo ao longo de sua gestão.
Ele mencionou a aprovação de iniciativas significativas, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a Reforma Tributária, elogiando as contribuições do Legislativo e de diversas legendas, incluindo aquelas que não o apoiaram nas eleições de 2022.
Essas declarações ocorreram um dia após manifestações em todo o país, que criticaram o projeto de lei da Dosimetria e a atuação do Congresso. Alguns membros do governo renovaram suas críticas à liderança do Legislativo, especialmente ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após a aprovação de um projeto que reduz as penas para os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro.
No Senado, a relação também está tensa, devido a uma disputa entre o governo e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em razão da última indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O Planalto decidiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, em vez do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o que gerou descontentamento.
Apesar dessas controvérsias, Lula optou por não se juntar às críticas. Em vez disso, ele se declarou “muito grato a tudo que o Congresso fez por nós nesses três anos de governo, tanto no Senado quanto na Câmara”, considerando que o Legislativo “foi muito correto” no andamento de matérias econômicas. Ao mesmo tempo, reconheceu que a articulação do governo não teve “a capacidade” de convencer os parlamentares a aprovarem outros projetos.
Sobre a derrubada dos vetos presidenciais relacionados ao Licenciamento Ambiental em novembro, Lula afirmou que não ficou “chateado” e destacou que os empresários seriam os mais afetados, enfrentando possíveis restrições nas exportações. Ele também enfatizou que a responsabilidade por eventuais sanções não deve recair “só sobre o governo”.