No dia 14 de maio, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) impôs a primeira condenação à deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), resultando em uma pena de 10 anos de prisão, a perda do mandato, uma multa de R$ 2 milhões e a inelegibilidade devido à sua participação na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desde então, a parlamentar tomou diversas atitudes que levaram à sua condenação final.
O Metrópoles elaborou um cronograma detalhado das ações de Zambelli no último mês, após a sentença. Nas semanas seguintes, ela declarou que não suportaria a prisão, solicitou doações via Pix, deixou o Brasil, pediu licença do cargo, foi incluída na lista de fugitivos da Interpol, teve sua prisão preventiva decretada e, posteriormente, a condenação confirmada, tornando-se definitiva.
A deputada foi responsabilizada por sua atuação em um esquema que culminou na emissão de um mandado de prisão falso contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. A investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Zambelli como a mente por trás da invasão, que foi executada pelo hacker Walter Delgatti Neto, que confessou ter seguido ordens da parlamentar e recebido uma quantia significativa de dinheiro para realizar a ação.
A sentença do STF determinou a perda de seu mandato, e o trânsito em julgado ocorreu em 6 de junho. Um dia após a condenação, Zambelli expressou que não sobreviveria à pena, mencionando problemas de saúde, incluindo uma síndrome rara e questões cardíacas que, segundo ela, eram agravadas pelo estresse da situação.
Em 19 de maio, a deputada divulgou um vídeo pedindo doações via Pix para custear suas multas judiciais, afirmando que sua luta era por todos. Ela alegou ter arrecadado mais de R$ 166 mil para cobrir penalidades, incluindo os R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
Poucos dias após o apelo, em 23 de maio, sua defesa interpôs um recurso contra a condenação, alegando cerceamento de defesa por falta de acesso a provas cruciais. No entanto, dois dias depois, Zambelli deixou o Brasil, cruzando a fronteira com a Argentina e seguindo para a Flórida, nos Estados Unidos. Mesmo fora do país, continuou a participar de votações na Câmara, mas anunciou sua saída oficialmente em 3 de junho, alegando buscar tratamento médico.
Após sua saída, a prisão preventiva foi solicitada pela PGR e acatada por Moraes, que também determinou sua inclusão na difusão vermelha da Interpol, com o intuito de facilitar sua extradição. No dia 5 de junho, o nome de Zambelli foi formalmente listado na Interpol, permitindo sua prisão em outros países.
No mesmo dia, a Câmara dos Deputados oficializou o afastamento de Zambelli, que pediu licença médica antes de sua saída. A partir de 5 de junho, a licença passou a ser por “interesse pessoal”, permitindo que o suplente Coronel Tadeu (PL-SP) assumisse sua vaga.
Finalmente, em 6 de junho, a Primeira Turma do STF rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pela defesa, tornando a condenação de Zambelli permanente. No dia seguinte, Moraes ordenou a prisão definitiva da deputada e notificou a Câmara para que a perda de seu mandato fosse formalizada, indicando que essa decisão não necessitava mais de votação no plenário.
O magistrado também encaminhou o caso ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para que o processo de extradição fosse iniciado.