Na última quinta-feira (5/6), a convenção nacional do PSDB ratificou a união com o Podemos, com o intuito de garantir a sobrevivência política após um período de retração. A formalização dessa aliança ainda requer discussões adicionais, que devem ocorrer nos próximos meses. Combinadas, as duas legendas somam 28 deputados e sete senadores, formando a oitava maior bancada na Câmara e a quinta no Senado.
O presidente do PSDB, Marconi Perillo, comentou: “Delegamos à executiva nacional a tarefa de proceder com a incorporação do Podemos. Assumimos a responsabilidade neste novo capítulo, uma vez que o partido nos concedeu essa autorização. Este é apenas o primeiro passo. (…) Agora, temos o respaldo formal do partido para dialogar com o Podemos e outras agremiações”.
A fusão com o Podemos recebeu 201 votos a favor, dois contra e duas abstenções. O deputado federal e presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), Aécio Neves (MG), destacou: “O PSDB cumpre um dever estatutário, era essencial realizar essa convenção, e 99% aprovaram a incorporação, assim como os poderes para que a executiva nacional finalize as tratativas, sem a necessidade de consultar outras instâncias”.
A deputada federal Renata Abreu lidera o Podemos, e Aécio Neves mencionou que as conversas com o partido serão reiniciadas na próxima semana. O foco agora é discutir aspectos do novo estatuto partidário e resolver desavenças entre as lideranças estaduais. “Este não é um projeto para simplesmente cumprir requisitos, mas uma proposta de centro para o Brasil, demonstrando que é possível sobreviver fora da influência de governos, independentemente de suas orientações. Nosso objetivo é apresentar uma proposta programática de um partido liberal na economia, com um compromisso social, como uma alternativa ao lulopetismo e ao bolsonarismo”, acrescentou Aécio.
A junção entre os partidos será feita por meio de uma incorporação, em que o Podemos será absorvido pelo PSDB, pelo menos do ponto de vista jurídico. Entretanto, o acordo é tratado informalmente como uma fusão, uma vez que haverá mudanças no comando da nova sigla, na redação do estatuto e até na possibilidade de alteração do número eleitoral tradicional, o 45.
A legislação eleitoral impede o PSDB de realizar uma fusão, dado que a sigla está federada desde 2022 com o Cidadania e, portanto, não pode se fundir com outra, apenas pode incorporar. Essa incorporação é vista como uma estratégia para garantir a sobrevivência política, especialmente diante do crescimento de outras legendas do Centrão e da direita, além da recém-anunciada federação entre o PP e o União Brasil. Lideranças do PSDB e do Podemos expressam preocupação com a fragmentação do fundo eleitoral. Durante a convenção, Aécio previu que em 2030 o Brasil contará com cerca de cinco a seis agrupamentos partidários, entre legendas e federações.
O PSDB enfrentou diversas crises, especialmente após a derrota de Aécio para Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial de 2014. Nas eleições de 2018, o partido perdeu espaço para a nova direita liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, disputas internas pelo controle da sigla resultaram em saídas de importantes lideranças.
Historicamente, os tucanos tiveram um presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2003, e chegaram a ter uma bancada de 23 senadores na 51ª legislatura, entre 1999 e 2003. Na eleição de 2022, o partido não conseguiu indicar um candidato à presidência e perdeu o controle do governo de São Paulo, após 28 anos consecutivos no Palácio dos Bandeirantes.
O último indicativo da queda do PSDB ocorreu em 2023, quando a legenda perdeu até mesmo o direito a ter uma liderança no Senado e foi desalojada do tradicional gabinete que ocupava no Salão Azul da Casa.