O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu a possibilidade de revisar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Durante uma reunião entre o presidente Lula e líderes do Legislativo, Haddad afirmou que poderia haver uma “ajuste” no aumento, dependendo do avanço e aprovação das medidas fiscais.
“O acordo é apresentar as propostas. Se forem aprovadas e reconhecidas como justas… e, ao meu ver, são claramente justas… terei espaço para realizar um ajuste”, declarou Haddad a jornalistas.
No entanto, ele ressaltou que as iniciativas para enfrentar a crise serão divulgadas apenas após um encontro com os líderes partidários do Congresso Nacional no domingo (8/6). “Vamos avaliar junto aos líderes a viabilidade e a relevância das propostas. Estamos bastante confiantes de que são justas e sustentáveis, tanto social quanto economicamente”, comentou.
Esse anúncio ocorreu após uma reunião no Palácio da Alvorada, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro Fernando Haddad, e dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, respectivamente. Também participaram do almoço a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e outras lideranças governamentais no Congresso.
Lula havia antecipado esse encontro durante uma coletiva de imprensa, onde defendeu a importância da participação de representantes do Congresso nas discussões. “Sou a favor de que, antes de qualquer proposta que enviemos ao Congresso, reunamos aqui as pessoas que são parceiras nesse processo: o presidente do Senado, o presidente da Câmara e os líderes dos partidos”, afirmou o presidente.
Além disso, Haddad mencionou que a alternativa para compensar o aumento do IOF deve incluir tanto um projeto de emenda à constituição (PEC) quanto um projeto de lei (PL), e possivelmente uma medida provisória (MP). Este tema vem sendo debatido entre o governo e o Congresso desde o anúncio do aumento do IOF, que não foi bem recebido por parte do mercado financeiro e de alguns parlamentares. A oposição, por sua vez, solicita que seja pautado um projeto de decreto legislativo (PDL) para revogar a medida.
Na última quinta-feira (29/5), o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou um prazo de dez dias para que o governo apresente uma solução. Haddad, por outro lado, acelerou o anúncio devido à viagem do presidente Lula à França marcada para a noite desta terça-feira.