Ana Paula Marra, secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, declarou em seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que havia um plano sob a liderança do então secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, para solicitar mandados de prisão contra os líderes que estavam acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Ana Paula, uma das testemunhas convocadas pelo ex-secretário e ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, foi ouvida na manhã desta sexta-feira (30/5) em sessões presididas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Durante seu depoimento, a secretária foi questionada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre as ações da sua pasta em relação à remoção de pessoas em situação de rua na área. Ela revelou que havia um plano de retirada dessas pessoas que deveria ser implementado em 10 de janeiro. Segundo Ana Paula, a ideia de prender os líderes do acampamento foi discutida entre Torres e o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, que era o chefe do Comando Militar do Planalto na época.
“Eu fui chamada para abordar a situação depois que muitas pessoas foram presas e não havia condições para sua transferência ao sistema prisional”, declarou ela. Gonet perguntou sobre sua participação em uma reunião realizada em 6 de janeiro, na qual estiveram presentes Torres e o general Dutra. Ana Paula confirmou sua presença e recordou os detalhes discutidos.
“Não compreendi o motivo de meu convite para aquela reunião. Ao chegar, encontrei Anderson, a coronel Cíntia e o general Dutra. Torres disse que minha presença era crucial porque diversas pessoas em situação de rua estavam no quartel, onde estavam recebendo doações de alimentos”, relatou.
“Eu mencionei que tinha uma equipe pronta para ajudar. O general Dutra comentou que, nos finais de semana, mais pessoas se reuniam por lá, já que o local tinha se tornado um ponto turístico. A ideia era criar um protocolo integrado, e ficou acordado que eu ficaria responsável pela equipe de abordagem social”, acrescentou Ana Paula.
Em outro depoimento ao STF, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), revelou que o ex-presidente Bolsonaro expressava temor de que a situação do Brasil se deteriorasse com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador relatou que Bolsonaro manifestava preocupação com o futuro do país sob a nova administração, que começaria em janeiro de 2023, e que seus comentários se resumiam ao receio de que “as coisas desandassem”.
“O governo enfrentou uma crise severa. Havia uma preocupação constante sobre a possibilidade de tudo sair do controle em relação ao futuro do Brasil. Nossas conversas giravam em torno desse tema”, afirmou o governador.
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