O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) projeta que, caso não surjam novas infecções de gripe aviária em granjas comerciais, o Brasil poderá estar livre da doença em um prazo de 21 dias. Na última terça-feira (27/5), foi identificado um novo caso em Minas Gerais, mas este envolveu uma ave silvestre. O ministro Carlos Fávaro esclareceu que, ao fim do período de incubação do vírus, que dura 28 dias, ele anunciará que o país está livre da infecção. “A tendência é bastante favorável para que isso ocorra nos próximos dias. Restam apenas 22 dias para alcançarmos esse objetivo”, afirmou durante uma reunião com a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal.
Além do primeiro caso registrado em Montenegro (RS), um novo foco de gripe aviária foi detectado em um abatedouro avícola em Aguiarnópolis (TO), próximo à divisa com o Maranhão, no dia 19 de maio. Naquela ocasião, as autoridades locais informaram que “a situação está sob controle e não representa risco para a saúde humana”.
Entretanto, servidores do Mapa alertam que a falta de pessoal compromete as ações de combate à gripe aviária, com um déficit de 83% de servidores. Os Estados Unidos confirmaram, em janeiro, o primeiro surto de gripe aviária pela cepa H5N9. Em Tocantins, a gripe aviária foi identificada, mas as autoridades afirmaram que “a situação está sob controle”, segundo a Adapec.
Em sua fala ao Senado, o ministro revelou que fez um rastreamento da produção nos 28 dias anteriores ao primeiro registro da doença e que todos os ovos produzidos nesse intervalo foram descartados. “Se havia qualquer chance de um animal contaminado, ele foi eliminado anteriormente, 28 dias atrás. Portanto, nossa margem de segurança se estende por 56 dias – 28 dias retroativos e 28 dias para o futuro”, explicou Fávaro.
Ele também comentou que, caso a doença tivesse se espalhado para outra região do país, teríamos visto mais casos de mortalidade devido à velocidade de propagação e à letalidade do vírus. “Nos primeiros dias, seria um grande risco que outros casos surgissem, pois o vírus poderia ter vazado do foco original em Montenegro”, destacou.
Na mesma terça-feira, o governo de Minas Gerais decretou um foco de gripe aviária na região metropolitana de Belo Horizonte, com registro em aves ornamentais, especificamente cisnes-negros criados em um sítio na cidade de Mateus Leme. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esclareceu que esse registro se refere a uma ave silvestre: “Esses casos demonstram que a doença está sendo introduzida por aves migratórias que sobrevoam o Brasil. Algumas dessas aves chegam ao país já contaminadas, contribuindo para a disseminação do vírus.”
O órgão também informou que todas as suspeitas de doenças como Influenza Aviária e Doença de Newcastle, que fazem parte do Painel de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, podem ser monitoradas por meio de um painel que é atualizado duas vezes ao dia pelo Mapa. Sobre a situação em Minas Gerais, Carlos Fávaro a caracterizou como natural: “Nos últimos dois anos, tivemos 169 casos em animais silvestres. O Brasil está na rota migratória do hemisfério sul para o hemisfério norte, e a contaminação ocorre com esses animais migratórios, resultando em casos de animais silvestres no território nacional.”