O vírus influenza A, responsável pela gripe, tem gerado um número crescente de hospitalizações, que variam de moderado a elevado, conforme indicado pelo Boletim InfoGripe da Fiocruz. Com a chegada do inverno, o Brasil começa a enfrentar um declínio nas temperaturas, levantando preocupações sobre a necessidade de a população intensificar os cuidados com doenças respiratórias.
O aumento nas internações está associado a uma mutação genética que tornou o vírus mais transmissível após a pandemia, segundo Ygor Mourão, pneumologista do Hospital de Base de Brasília. “Durante o período de isolamento, a circulação do vírus da gripe era praticamente inexistente. Esta ausência de exposição contribuiu para que o vírus retornasse com mais força após a pandemia. A falta de contato com o vírus pode ter influenciado o aumento da sua circulação, especialmente em relação à influenza”, explicou.
Mourão destacou que a incidência da gripe tende a aumentar durante o outono e o inverno devido às mudanças climáticas. “Nos meses mais frios, observamos um crescimento no número de casos, principalmente devido a essas variações climatológicas”, ressaltou.
Ele também apontou que, nesta época do ano, é mais comum o surgimento de processos inflamatórios, pois o ambiente se torna mais propenso à contaminação. Resfriados, que se manifestam com espirros e coriza, tendem a se disseminar mais rapidamente em ambientes fechados ou expostos ao frio intenso, facilitando a propagação do vírus.
O relatório divulgado revelou que a Influenza A superou a Covid-19 como a principal causa de mortalidade entre idosos devido à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Além disso, a gripe figura entre as três principais causas de óbito entre crianças pequenas, também por SRAG.
De acordo com Ygor Mourão, a gripe pode ser “potencialmente grave e até fatal, especialmente para grupos mais vulneráveis”. Os indivíduos mais suscetíveis incluem idosos, crianças pequenas, que ainda estão desenvolvendo seu sistema imunológico, além de pessoas com doenças respiratórias, asmáticos e imunocomprometidos.
Neste ano, foram registrados 56.749 casos de SRAG, dos quais 26.415 apresentaram resultados laboratoriais positivos para algum vírus respiratório, enquanto 21.863 foram negativos e pelo menos 4.916 aguardavam resultados.
O Ministério da Saúde (MS) informa que os principais sintomas da gripe incluem febre, dor de garganta, tosse, dores no corpo e dor de cabeça, com variações na gravidade conforme a faixa etária. Em alguns casos, as complicações podem ser sérias para os grupos vulneráveis, resultando em altos índices de mortalidade. Exemplos de complicações incluem pneumonia bacteriana e viral, sinusite, otite, desidratação e agravamento de doenças crônicas.
A vacinação é considerada a maneira mais eficaz de prevenção contra a gripe e suas complicações, conforme o MS. Os hábitos saudáveis adotados durante a pandemia também devem ser mantidos neste período de aumento dos casos gripais. “É essencial que as autoridades de saúde implementem estratégias para conter a disseminação da influenza, como campanhas de vacinação e vigilância epidemiológica, além de garantir que a população receba informações adequadas”, enfatizou o pneumologista.
A constante mutação do vírus exige formas de proteção a cada ano, sendo necessária a imunização oferecida pelo SUS, que protege contra os três subtipos de vírus da gripe que mais circularam no Hemisfério Sul no último ano.
O especialista também mencionou as boas práticas de prevenção utilizadas durante a pandemia que devem ser reintroduzidas agora, quando os casos de gripe se intensificam. “A higienização das mãos, o uso de máscaras, o isolamento social em caso de sintomas respiratórios, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e manter ambientes bem ventilados são medidas importantes”, comentou.
Segundo Mourão, os centros de saúde enfrentam um certo colapso durante o inverno, o que pode comprometer a qualidade do atendimento. “Nem sempre a assistência à saúde é prestada de maneira adequada devido à superlotação”, destacou.
Existem quatro tipos de vírus influenza que causam a gripe: A, B, C e D. O tipo A pode infectar tanto humanos quanto diversas espécies animais, enquanto o tipo B é exclusivo dos humanos e, junto com o tipo A, é responsável por epidemias sazonais. O tipo C afeta humanos e suínos, mas é menos frequente e geralmente resulta em infecções leves, sem grande impacto na saúde pública. O tipo D, por sua vez, foi isolado nos Estados Unidos, afeta suínos e bovinos e não é conhecido por infectar humanos.
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