O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou nesta segunda-feira (19/5) que “o governo brasileiro alcançou um marco significativo em sua batalha contra o crime organizado” com a prisão na Bolívia e subsequente transferência para o Brasil de um dos líderes do PCC, Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta. Ele foi detido durante uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF), a Fuerza Especial de Lucha Contra el Crimen (FELCC) da Bolívia, e a Interpol, na última sexta-feira (16/5), em uma ação que envolveu tanto esforços policiais quanto diplomáticos.
Lewandowski ressaltou a importância da intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no processo de transferência do detento, que foi expulso da Bolívia, evitando assim um processo de extradição que seria mais demorado e complexo. “Foi uma operação extremamente desafiadora, que requereu a ciência do presidente sobre a prisão do delinquente na Bolívia e a necessidade de sua transferência o mais rápido possível”, afirmou Lewandowski. Ele detalhou que, uma vez informado sobre a prisão, o presidente determinou que o Itamaraty fosse acionado para iniciar negociações a respeito da transferência.
O ministro Mauro Vieira, por sua vez, estabeleceu contato com as autoridades diplomáticas bolivianas e sugeriu a expulsão como solução. “Levando em conta a periculosidade do indivíduo e o risco de fuga, decidiu-se pela expulsão”, explicou.
Andrei Passos, chefe da PF, destacou que a colaboração internacional foi crucial para o êxito da operação. “A presença da PF em diversos países facilitou uma interação ágil com as autoridades bolivianas, permitindo a identificação de documentos falsificados. Essa cooperação resultou na comunicação imediata com a Interpol, que nos informou sobre a situação”, disse Passos.
Ele continuou a explicar que a identificação rápida foi possível através de dados disponíveis na Interpol, o que garantiu que as autoridades bolivianas pudessem realizar a prisão em flagrante.
Tuta, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi detido em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, portando um documento falso. Após sua expulsão, foi entregue às autoridades brasileiras em Corumbá (MS) e, a partir daí, levado para Brasília, onde foi encaminhado à Penitenciária Federal.
Na coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (19/5), além de Lewandowski, também participaram Andrei Passos e Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol, para discutir os detalhes da operação.
Ele possui uma condenação de 12 anos no Brasil por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Seu nome estava na lista da Difusão Vermelha da Interpol desde 2020, e o documento falso que utilizava também estava registrado entre os procurados.
Tuta foi sentenciado no ano anterior a 12 anos de reclusão por associação criminosa e lavagem de dinheiro, sendo acusado de ter lavado R$ 1 bilhão para a organização criminosa. Considerado um sucessor de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, Tuta chegou a ser adido comercial no Consulado de Moçambique em Minas Gerais, entre 2018 e 2019, recebendo um salário de R$ 10 mil para tratar de assuntos relacionados ao comércio entre os dois países.
Após ser dispensado do consulado, Tuta assumiu a liderança do PCC em liberdade em 2020, mas, dois anos depois, foi expulso da facção por enriquecer às custas da organização. Em um momento anterior, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) chegou a noticiar que ele teria sido executado pelo tribunal do crime da facção, após ordenar a morte de um membro sem a autorização da liderança, mas o corpo nunca foi localizado.
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